Cotidiano

‘A Igreja não está no mundo para condenar. Deus só se pode revelar como misericórdia’

Redação DM

Publicado em 10 de janeiro de 2016 às 05:06 | Atualizado há 11 anos

A Igreja condena o pecado, porque tem de dizer a verdade: isto é um pecado. Mas ao mesmo tempo abraça o pecador que se reconhece como tal, aproxima-o e fala com ele sobre a misericórdia infinita de Deus. Jesus até perdoou aqueles que o puseram na cruz e o desprezaram.

Temos de voltar ao Evangelho. Lá constatamos que não se fala apenas de “festa” para o filho que regressa.

A expressão da misericórdia é a alegria da festa, que encontramos bem expressa no Evangelho segundo São Lucas 15, 7: “Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão”. Não diz: e se depois tivesse de reincidir, voltar para trás, cometer mais pecados, que se desvencilhe sozinho!

Não, porque Jesus disse a Pedro, que lhe perguntava quantas vezes é preciso perdoar: “Setenta vezes sete” (Evangelho segundo São Mateus 18, 22), ou seja, sempre.

Na parábola, permitiram que o filho mais velho do pai misericordioso dissesse a verdade sobre o que aconteceu, mesmo que não entendesse, até porque o outro irmão, quando começou a ser acusado, não teve tempo para falar: o pai deteve-o e abraçou-o.

Porque existe o pecado no mundo, porque a nossa natureza humana está ferida pelo pecado original, Deus, que nos doou o seu Filho, só se pode revelar como misericórdia.

Acompanhando o Senhor, a Igreja é chamada a transmitir a sua misericórdia a todos os que se reconhecem pecadores, responsáveis pelo mal praticado, que se sentem necessitados de perdão.

A Igreja não está no mundo para condenar, mas para permitir o encontro com aquele amor visceral que é a misericórdia de Deus. Para que isso aconteça, repito-o muitas vezes, é necessário sair. Sair das igrejas e das paróquias, sair e ir procurar as pessoas onde elas vivem, sofrem, esperam. O hospital de campanha, a imagem com a qual gosto descrever esta situação — “Igreja em saída” —, tem a característica de estar onde se combate: não é a estrutura sólida, dotada de tudo, onde se vão curar as pequenas e grandes doenças. É uma estrutura móvel, de primeiros-socorros, de intervenção imediata, para evitar que os combatentes morram. Pratica-se a medicina de urgência, não se fazem check-ups especializados.

Espero que o Jubileu Extraordinário faça emergir cada vez mais o rosto de uma Igreja que redescobre as entranhas maternas da misericórdia e que vai ao encontro dos muitos “feridos” necessitados de compreensão, perdão, amor e de serem ouvidos.

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