Goiás é sexto em acidentes no ar
Redação DM
Publicado em 9 de janeiro de 2016 às 01:18 | Atualizado há 1 ano
A morte aérea tornou-se banalidade nos céus de Goiás. Dentre os principais motivos estão a popularização do meio de transporte e a falta de conhecimento dos pilotos que utilizam helicópteros e aviões de forma indiscriminada, como se fosse um veículo a mais no mercado.Na quinta-feira, foi a vez de Fabiano Pereira e Paulo Roberto morrerem após a queda de um avião agrícola que realizava pulverização de plantação de cana-de-açúcar na zona rural de Bom Jesus de Goiás.
O piloto utilizava um avião Cessna, modelo T 188C. A nave caiu na Fazendo Galvão, região em que pulverizava as lavouras. O avião estava legalizado e com documentação em dia, mas o piloto supostamente agiu de forma incorreta ao carregar outra pessoa.A informação divulgada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foi confirmada pelo piloto proprietário, Arno Dahlke, que reconhece a inexistência de lugar para passageiro. As duas vítimas foram encontradas carbonizadas e abraçadas após a queda.
Quedas de aviões tornaram-se comuns, principalmente, nos seis últimos meses. Em dezembro, três pessoas morreram após a queda de um avião na zona rural de Trindade.Meses antes, em setembro, um modelo caiu próximo de Pirenópolis e outra queda levou parte dos dirigentes do Bradesco, em novembro do ano passado, na divisa de Goiás com Minas Gerais.
Quase sempre a história é a mesma: queda de avião de pequeno porte em lavoura ou zona rural. Em seguida, populares ou testemunhas entram em contato com bombeiros. E ato contínuo chega a Polícia Civil. Bem depois, técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) visitam a área do acidente para fazer a perícia no avião.
Apesar da Cenipa constatar redução de acidentes no país, Goiás registra o inverso: o Estado teve o dobro de ocorrências. Nos últimos 12 anos ocorreram 85 acidentes – a maioria das vítimas morreu no ano passado.Os acidentes ocorrem em grande parte com aviões – cerca de 81% das investigações. Helicópteros seguem com 17% das ocorrências. Planador, anfíbio, ultraleve e equipamentos experimentais compõe o restante das ocorrências.
De acordo com relatório de 2015, Goiás teve 6,40% dos casos registrados nos últimos dez anos, na sexta colocação de acidentes. São Paulo lidera a lista com 21,03%, seguido por Mato Grosso, com 9,98%.
Motivos
A perda de controle do solo, problemas com trem de pouso e falha do motor são algumas das causas mais comuns dos acidentes, informa a Cenipa.
As causas do caso de Bom Jesus podem ser facilmente identificadas com o excesso de peso. Mas no geral existem outras possibilidades, explica o aviador e comandante Catalão, com 15 mil horas de voo. Ele cita, por exemplo, a falta de habilidade do piloto. “Uma das causas, cada vez mais comuns, é o piloto não ter experiência para lidar com condições meteorológicas adversas”.
O caso de Bom Jesus é paradigmático: acontece quando existe forte debate sobre o uso dos veículos aéreos não tripulados (Vant). Eles são a grande novidade na produção agrícola de diversos países. O problema é que inexiste legislação adequada para o uso ou mesmo incentivo por conta do governo. O senador goiano Wilder Morais já propôs projetos para regulamentar o uso.
Em específico, caso fosse comum hoje o uso do drone na lavoura talvez Fabiano Pereira e Paulo Roberto estivessem vivos, voando, mas em outra missão.
