Cotidiano

Secretário confirma indícios de lama de barragem no mar da Bahia

Redação DM

Publicado em 8 de janeiro de 2016 às 05:40 | Atualizado há 11 anos

RIO — O secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler, não descarta a possibilidade da lama proveniente da barragem da Samarco ter chegado à costa da Bahia. Depois de sobrevoar duas vezes mais de 100 km, do distrito de Troncoso, em Porto Seguro, ao sul do Arquipélago de Abrolhos, o secretário identificou a presença de machas próximo ao município de Caravelas, na divisa com o Espírito Santo, mas descartou a presença de resíduos na região de Abrolhos.

— Existem, sim, manchas em pontos diversos, de Caravelas para cima, até 15 milhas (24 km) mar adentro. O arquipélago (de Abrolhos) está totalmente sem resíduos — declarou o secretário.

Spengler disse ainda que não há porque interditar as praias da Bahia, já que não foram identificados metais pesados nas águas do estado. Amostras foram coletadas nesta sexta-feira, trabalho que deve ter continuidade no sábado. Somente na segunda-feira o material chega a laboratório e uma análise para confirmar se a lama é oriunda da barragem deve ser divulgada em dez dias. Até lá, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) e a Samarco, em parceria com o Ibama e o Instituto Chico Mendes, monitorarão a área.

— Não descartamos nenhuma hipótese. É resíduo da lama? Não sei, pode ser. É por causa das chuvas? Pode ser. De algas? Pode ser . Estamos coletando amostras. Depois da análise, identificada a composição (das manchas), saberemos sua origem. Sem maiores detalhes técnicos, não emitiremos opinião — afirmou Spengler.

Após detectar uma mancha no mar, o Ibama e o Instituto Chico Mendes, órgãos do Ministério do Meio Ambiente, alertaram na quinta-feira que sedimentos originários do desastre no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, podem ter chegado ao litoral Sul da Bahia. A enxurrada de lama chegou ao Rio Doce, por onde seguiu até alcançar o mar no Espírito Santo.

A presidente do Ibama, Marilene Ramos, disse em entrevista ao GLOBO que o volume que pode ter atingido o litoral Sul da Bahia ainda é muito diluído, mas está se espalhando por conta das correntes e condições atmosféricas. Para o órgão, por enquanto, não há necessidade de interditar as praias.

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