Quando protestar é preciso
Redação DM
Publicado em 7 de março de 2016 às 01:02 | Atualizado há 10 anosPor que sair às ruas para protestar em 13 de março?
Com certeza tal pergunta está agora na cabeça de milhares de brasileiros, quiçá milhões. Então para elucidar algumas questões acerca da política brasileira, e talvez te ajudar a chegar a uma resposta, vamos relembrar alguns fatos e pensar um pouco sobre o futuro.
Em outubro de 2014, o Brasil assistiu ao desfecho da eleição presidencial mais acirrada de sua história, Dilma Rousseff foi reeleita com apenas 51% dos votos, um número nada animador para se iniciar um segundo mandato. A oposição que concorreu ao pleito, encabeçada pelo senador Aécio Neves, não conseguiu tirar o PT do Palácio do Planalto, contudo saiu fortalecida e disposta a dar um tratamento diferente ao projeto de governo da presidente. Somando-se a isso, o debate político entrou de vez no dia a dia dos brasileiros, impulsionado principalmente pelas redes sociais, na internet é comum que um dos assuntos mais comentados diariamente sejam os fatos políticos, portanto, ao que tudo indica, os brasileiros aprenderam a se importar com política, e tem se mostrado cada vez mais disposto a discutir e agir politicamente, montando uma verdadeira blitz de oposição ao governo.
Nesse ínterim temos acompanhado desiludidos as notícias, uma após outra anunciando o aumento do preço dos combustíveis, da luz elétrica, da taxa de juros, da inflação, do desemprego, a descoberta de um novo esquema de corrupção e etc. Tudo isso tem levado o Brasil ao caos político e econômico, para se ter uma ideia, as contas da União já não fecham mais, o governo gasta mais do que arrecada, e mesmo tendo suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União segue usando o mesmo modelo político/econômico que já se provou falho, tentando aumentar ainda mais os impostos que sufocam os brasileiros e o setor produtivo. Segundo o historiador Marco Antônio Villa, “não há na história do Brasil um quadriênio presidencial com crescimento tão baixo do PIB como esse”. Se é que se pode falar em crescimento durante o governo Dilma, desde a última eleição a economia brasileira já regrediu cerca de 4%. Nesse contexto é natural a queda da produção industrial, dos investimentos, do consumo e lógico, a popularidade da presidente, que bate mais um recorde negativo, pesquisas internas do Planalto já chegaram a registrar que 93% da população avaliam seu governo negativamente, até Fernando Collor tinha melhor aceitação quando sofreu o impeachment.
Não bastasse todos esses indicadores econômicos apocalíticos, as principais lideranças do PT foram presas pela operação Lava Jato, acusadas de participarem do maior esquema de remessas de dinheiro ilegal, processo que ficou conhecido como Petrolão, e que segundo os delatores Alberto Youseff e o senador Delcídio do Amaral, Lula e Dilma sabiam de tudo, não só sabiam como foram também mandatários da operação do sistema. De fato, o cerco a presidente e ao ex está se fechando, a Polícia Federal já intimou Lula a prestar esclarecimentos e está efetuando busca e apreensão em todos os seus imóveis para recolhimento de provas, e Dilma se complicou ainda mais, após executivos da empreiteira Andrade Gutierrez admitirem terem repassado dinheiro para caixa 2 da campanha presidencial, fatos esses que sustentam tanto a abertura do processo de impeachment bem como a cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Esse é o Brasil real, bem diferente daquele que a “presidenta eficienta” e o PT tentam mostrar em horário nobre, eu digo tentam porque os brasileiros já não a escutam mais, em todo pronunciamento o que se ouve são os sons das panelas ressoando a insatisfação de um povo com a corrupção generalizada e a impunidade.
Nós brasileiros gostamos de exaltar a eficácia dos sistemas jurídicos em países como Japão, EUA, Suécia e outros, principalmente quando um parlamentar é preso ou destituído do cargo. Dessa vez, tais processos estão ocorrendo em solo tupiniquim, alguns políticos já estão presos e outros sendo investigados pela Lava Jato, a atual presidente pode sofrer impeachment e o ex pode acabar na cadeia. Portanto, sair as ruas no próximo domingo significa clamar por Aletheia (busca da verdade e justiça), significa dizer não a corrupção, significa lutar pelo Brasil, significa deixar um país melhor para os nossos filhos. Por fim, é importante lembrar que “para o triunfo do mal, só é preciso que os homens bons não façam nada”, como disse Edmund Burke. Domingo 13 de março, saia de casa ou Dilma fica.
(Rafhael de Paulo é graduado em Relações Internacionais pela PUC-GO; pós-graduando – MBA em Gestão Pública pela Universidade Cândido Mendes)