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Sobre armadilhas do ego e suas consequências – Parte II

Redação DM

Publicado em 9 de abril de 2016 às 01:17 | Atualizado há 10 anos

Vimos na primeira parte deste artigo as quatro primeiras armadilhas do Ego. Então vamos continuar e fechar o artigo mostrando também algumas alertas para evitar o domínio total do Ego sobre nossa vida e nossos comportamentos e atitudes.

  1. Sempre querem ter mais: pessoas gananciosas e mesquinhas. Seu Ego não se contenta com pouco, está sempre a quer mais e mais. Nunca está satisfeito (Ego). Normalmente são pessoas movidas pela ansiedade. Quanto mais tem; mas se acha na necessidade de ter mais. Ele põe a pessoa num estado perpétuo de busca e elimina a possibilidade de chegada. Embora, são materialistas, disfarçam fazendo caridade para os outros verem. São pessoas possessivas e desenvolve ciúmes patológicos em relação a pessoas. Quase sempre tem problemas com sua pressão arterial e colesterol. Por estar presa ao ter quase nunca são. Possui o que podemos chamar de “síndrome de vitimismo”. Está sempre se fazendo de vítima. Escolhem quase sempre a profissão de políticos.
  2. Sempre se baseia em seus feitos: são pessoas que só se veem pelos seus feitos e pelo que tem. Nada que possui ou construí tem ajuda de Deus. Ela é pelo que ela realiza. Está sempre presa ao fazer. Viciadas em trabalho, quase nunca tem tempo para se mesma.
  3. Sempre preocupada com a reputação: pessoas sob o prisma do “o que os outros vão pensar”. Sua preocupação com a imagem a torna artificial e perfeccionista. Tem dificuldade de ouvir a si mesma e está sempre pedindo e esperando a opinião alheia. Ao preocupar-se demasiadamente em como está sendo vista pelos outros, mostra que seu eu está desconectado com a intenção e está sendo guiado pelas opiniões alheias. Vive quase sempre na espera do elogio alheio. É mais importante a opinião alheia do que sua própria consciência. Vivem mentindo para si mesma. Normalmente vivem a cultuar o corpo e não passam de “sepulcros caiados”. Tornam-se pessoas tristes e vazias de conteúdo espiritual. Não gostam de estarem sozinhas ou consigo mesmas.

Como vimos dentre outras tantas armadilhas do Ego, vimos apenas sete e que, embora elas pareçam semelhantes, cada uma tem uma consequência diferenciada e, claro, o conjunto de todas elas deixa a pessoa com grandes problemas em todos os campos de sua vida.

Vamos fazer ou olhar pelo ângulo do equilíbrio entre o Ego e o Self, entre o egoísmo e o altruísmo, para que possamos não apenas desmerecer o nosso Ego; mas principalmente saber se defender dele e se prevenir contra suas armadilhas. Não podemos viver pensando que o mundo não deveria ser do jeito que é ou que todas as pessoas deveriam “mudar”, menos você. Não existe transcendência real (evolução espiritual) através do sentimento de superioridade, nem se sentindo ofendido por tudo e por todos.

Procuremos erradicar, de todas as formas possíveis, os horrores do mundo que emanam da identificação maciça do Ego, e encontre a paz.

Lembremos que não há perdedores num mundo onde todos compartilham da mesma fonte de energia. Ninguém se resume em suas conquistas e vitórias. É impossível vencer sempre. Como o tempo oscila entre chuva e sol, calor e frio; nós também oscilamos em nossos sentimentos e comportamentos, nenhum dia é igual ao outro, estamos sempre em constante mudança.

Como estamos sempre dizendo: tudo é processual e, embora os dias pareçam iguais, tudo está em constante metamorfose. Nosso espírito continua sendo eterna presença num corpo que está a cada dia ou a cada década, mais velho. Sejamos mais observadores, sem sermos julgadores. Elogie mais e necessite cada dia menos de ser elogiado. Nunca espere nada de ninguém. Muitas vezes o que estamos exigindo do outro; ele não tem nem para si mesmo. Compreendam que nossa maior semelhança são as nossas diferenças.

Tente não se conectar com outro somente a partir dos sentimentos inferiores. Construa ponte de amor, de paciência, de tolerância, de respeito entre você e seus semelhantes. Sabemos que o espírito de Criação é generoso, amoroso e receptivo; é livre de raiva, ressentimento ou amargura.

Interromper o desejo de termos sempre razão, estarmos certos, sermos melhores (superiores), adquirir coisas, estar sempre se mostrando e se sentir vítima de tudo é o mesmo que dizer ao Ego: “Não sou seu escravo.” Quero ser mais generoso. Quero compreender que posso não compreender. Vigiarei mais a mim mesmo e apenas observarei mais os outros, sem ter a necessidade de dizer que estão certos ou errados. Certo e errado é uma questão de ponto de vista e de momento.

Quero estar certo, superior, colecionador de coisas e pessoas ou ser feliz? Será que preciso pisar no outro para ser feliz? Onde está meu equilíbrio e humildade?

Esforce-se para não julgar as pessoas pela aparência, erros cometidos, conquistas, posses e outros índices do seu próprio Ego. A distinção sempre leva a comparações. Perceba a expansão de Deus em cada um que está ao seu lado. Nossa verdadeira missão é realizar nossa pretendida essência, tudo que precisamos para cumprir nosso destino está dentro de nós. Isso fica difícil quando nos sentimos superiores aos demais. Evite ficar aprisionado aos erros e falhas alheias, sem antes observar e buscar corrigir os seus.

Não procure alguém que te faça feliz, encontre a felicidade em você mesmo e estará melhor preparado para encontrar alguém que compartilhe dessa felicidade.

Guie-se sempre pela voz interior conectada e seja grato à Fonte. Atenha-se ao propósito, desapegue-se dos resultados e assuma a responsabilidade do que reside dentro de você: seu caráter.

Não digira sua vida fixado na razão ou na emoção; busque o equilíbrio e seu Self lhe ajudará a tomar uma decisão menos radical.

Tenho observado pessoas tomarem decisão que lhe fere a alma e desperta sofrimentos evitáveis, simplesmente porque não suporta se desapegar do orgulho, do egoísmo, da arrogância e da possessividade.

Dizer que tomou essa ou aquela decisão porque era o melhor a fazer; pode não ter sido uma opção para ser feliz; mas para provar que veio aqui apenas para ser infeliz e viver na solidão – essa é uma grande arma do Ego.

Algumas pacientes tentaram provar durante alguns anos de psicoterapia que tinham um “destino” infeliz, solitário e que nada podiam fazer, alimentando o “corpo de dor” (textos sobre o pensamento e suas consequências); mas quando começou a dar menos importância ao Ego e ouvir mais sua voz interior tudo isso mudou e no centro de sua consciência despertou características positivas e os valores reais de si mesmas. É o nosso Eu Superior, Profundo, o Self. O Ser Essencial é nosso lado luz, nosso lado amoroso, bom e belo, é a Essência Divina que somos.

O ciumento (possessivo) não consegue sozinho enxergar esse clarão que vem de dentro; pois está convicto de tudo que vê e pensa do outro, vive sob o comando do Ego.

Finalmente, podemos dizer que tudo está ao nosso alcance; mas é preciso ter olhos e ver e ouvidos de ouvir. No Ser Essencial, desprovido da camada de ignorância formada pelo ego, originam-se todos os sentimentos nobres que caracterizam: bondade, fraternidade, solidariedade, ética, compaixão, justiça, sinceridade, tolerância, amizade, auto-estima, etc. formando pela fonte de Energia  do amor. “O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea.” Não escolha ser feliz; permita ser feliz! Ser feliz não implica não ter sofrimento; ser feliz é aprender o que temos e não viver sobre lamentos e reclamações do que não temos!

Ser feliz não é obter coisas e ter pessoas; é desfazer de coisas e amar pessoas!

 

(Dr. José Geraldo Rabelo, psicólogo holístico, psicoterapeuta espiritualista, parapsicólogo. Filósofo clínico. Especialista em família, depressão, dependência química e alcoolismo. Escritor e palestrante. Emails.: [email protected] e [email protected])

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