Economia

Goiás e Japão avançam em cooperação para explorar e processar terras raras

DM Redação

Publicado em 28 de agosto de 2025 às 23:48 | Atualizado há 9 horas

Ronaldo Caiado lidera reunião com Embaixada do Japão no Brasil para tratar da exploração de Terras Raras em Goiás
Ronaldo Caiado lidera reunião com Embaixada do Japão no Brasil para tratar da exploração de Terras Raras em Goiás

O governador Ronaldo Caiado recebeu na tarde desta quinta-feira (28/8), no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, comitiva da Embaixada do Japão no Brasil para tratar da exploração de Terras Raras em Goiás. No final do encontro o embaixador Teiji Hayashi falou, em tom otimista, de avanço concreto e real para acerto de parceria.

A reunião teve como objetivo principal discutir parceria estratégica para exploração de óxidos de terras raras (OTR), em Goiás. As reservas goianas representam cerca de 25% da disponibilidade mundial deste tipo de minério, que é insumo imprescindível para o desenvolvimento tecnológico. Ao final da reunião, ficou definido que a interlocução entre o Estado e o governo japonês será conduzida pela Embaixada do Japão em Brasília.

Caiado também destacou avanços nas conversas. “Chegamos a um entendimento para avançar na cooperação entre Goiás e o governo japonês, não apenas na exploração, mas também no processamento das terras raras”, afirmou Caiado.

Embaixador do Japão, Teji Hayashi afirmou que a visita explora a possibilidade de ampliar os laços econômicos. “Veio a equipe completa do governo japonês para discutir e para aprofundar nossos laços, colaborações na área de terras raras”, destacou. O diplomata integra a comitiva que visita a mineradora Serra Verde, em Minaçu, nesta sexta-feira. O grupo vai conhecer ainda a planta fabril da Aclara Resources, em Aparecida de Goiânia; além de participar de reuniões institucionais.

Os 17 elementos de terras raras são aplicados em tecnologias de ponta e transição energética global, com utilização em turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias, equipamentos militares e data centers. A atividade mineral no estado detém as duas primeiras etapas para a comercialização do minério – sendo o único ponto fora da Ásia a realizar a produção em larga escala.

O governador também defendeu que a parceria com o Japão avance para as fases de separação e refino do minério, hoje dominadas pela China. “Goiás não quer ser apenas exportador de matéria-prima. Precisamos da sensibilidade para que essas etapas seguintes sejam implantadas aqui”, disse, ao reforçar a janela de oportunidades para atração de tecnologia e investimentos. Ele frisou ainda que, em relação ao licenciamento, o Estado é ágil: “Posso garantir que, no máximo em três meses, nós autorizamos o início de qualquer pesquisa ou instalação em Goiás”.

O governador também destacou a sanção da Lei nº 23.597, publicada na quarta-feira (27/8), que institui a Autoridade Estadual de Minerais Críticos. A medida estabelece governança para todas as etapas da mineração e cria a possibilidade de um fundo de pesquisa. “O governo japonês poderá, com a tecnologia que tem, implantar aqui conosco o refino, a separação dos produtos ou contribuir para esse fundo, ampliando nossa capacidade de pesquisa”, explicou.

A iniciativa fortalece operações já existentes em Minaçu, Nova Roma e Iporá. Em Minaçu, a Serra Verde Pesquisa e Mineração (SVPM) produz em escala comercial disprósio (Dy) e térbio (Tb), além de neodímio (Nd) e praseodímio (Pr). Em Nova Roma, o investimento no processamento de argilas iônicas deve alcançar R$ 2,8 bilhões, com geração estimada de 5,7 mil empregos em Goiás. Já em Aparecida de Goiânia, a multinacional chilena Aclara Resources inaugurou em abril deste ano uma planta fabril com aporte inicial de R$ 30 milhões.

Missão ao Japão abriu caminho
As tratativas tiveram início durante uma missão comercial do Governo de Goiás ao Japão, que ocorreu de 11 a 21 de julho deste ano. Em Tóquio, o governador Ronaldo Caiado esteve com o ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Ogushi Masaki, que manifestou interesse em parcerias estratégicas com o estado de Goiás para a exploração de minérios de terras raras.

“Nós falamos na reunião lá no Japão sobre a Serra Verde. Como temos que incentivar o investimento das empresas japonesas, achamos muito importante conhecermos in loco o que seria essa mina”, afirmou o diretor do Mineral Resources Division, Manufacturing Industries Bureau, Yuzo Yamaguchi. “Entre todas as nossas procuras, vimos aqui no Brasil e principalmente no estado de Goiás, que existe essa grande chance de nos atender em relação à demanda de terras raras e pesadas”, avaliou. Ele pontuar que o minério “é um material imprescindível nos produtos de alta tecnologia, no caso de ímãs, para motores ou então peças eletrônicas. Realmente é um elemento muito importante também utilizado na indústria automobilística”.

Secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima endossou o interesse goiano em comercializar a matéria-prima, mas em um estágio mais avançado. “Nós queremos também desenvolver a cadeia de valor das terras raras aqui dentro do estado de Goiás. E sair da situação atual, onde só entregamos para o exterior, hoje a China, o concentrado e o carbonato de terras raras. Sem que a separação, que a próxima etapa, seja executada aqui no estado de Goiás”, detalhou.

Fotos: Walter Folador

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia