Venda de minas de níquel em Goiás gera disputa internacional e investigação do Cade
DM Redação
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 10:50 | Atualizado há 18 horas
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaurou investigação sobre a venda das minas de níquel da Anglo American em Goiás para a companhia chinesa MMG, avaliada em R$ 2,7 bilhões. A operação levanta dúvidas sobre possível concentração de mercado e sobre a necessidade de comunicação prévia ao órgão regulador. Caso identifique falhas, o Cade pode aplicar multa de até R$ 60 milhões à mineradora.
Em nota, a Anglo American explicou que escolheu a MMG por apresentar melhores garantias e capacidade de gestão a longo prazo. A mineradora afirmou concentrar seus investimentos em cobre, minério de ferro e fertilizantes, motivo pelo qual decidiu vender seu portfólio de níquel no Brasil, ao incluir as unidades de Barro Alto e Codemin, além de projetos no Pará e em Mato Grosso.
O anúncio provocou reação da Corex Holding, controlada pelo bilionário turco Robert Yüksel Yıldırım. O empresário declarou ter oferecido US$ 900 milhões, valor superior ao da MMG, e criticou a decisão da Anglo American. “Nunca vi um vendedor recusar um preço maior”, afirmou em entrevista.
O Instituto Americano de Ferro e Aço alertou o governo dos Estados Unidos sobre riscos estratégicos da transação. Segundo a entidade, a aquisição das minas por uma companhia chinesa daria a Pequim influência direta sobre reservas internacionais de níquel, mineral considerado crítico para setores como energia, tecnologia e defesa.
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