Mais de 64 mortos em operação no Rio escancaram despreparo do Estado em guerra com Comando Vermelho
DM Redação
Publicado em 28 de outubro de 2025 às 15:48 | Atualizado há 9 meses
A megaoperação deflagrada na manhã desta terça-feira (28) no Rio de Janeiro terminou com mais de 64 mortos e dezenas de feridos, revelando não apenas a força de fogo do Comando Vermelho, mas também o despreparo do Estado em lidar com a crise de segurança que há décadas transforma as favelas da capital fluminense em territórios de guerra.
A ação conjunta das polícias Civil e Militar mobilizou cerca de 2.500 agentes para cumprir mandados de prisão e busca nos complexos do Alemão e da Penha, regiões controladas pela principal facção criminosa do estado. O saldo, porém, foi de um banho de sangue: suspeitos, moradores e quatro policiais dois civis e dois militares morreram durante os confrontos.
O avanço das forças de segurança foi recebido com resistência pesada. Criminosos fortemente armados usaram fuzis, granadas e drones, enquanto barricadas foram incendiadas para dificultar a entrada dos blindados. Helicópteros sobrevoaram as comunidades durante toda a manhã, e o som de tiros se estendeu por horas. Moradores relataram pânico, escolas suspenderam aulas e o transporte público foi interrompido.
Segundo fontes da segurança pública, a operação tinha como foco o núcleo estratégico do Comando Vermelho, responsável pela logística de armas e drogas. No entanto, especialistas criticam a falta de planejamento para minimizar o impacto sobre a população civil e questionam a eficácia de incursões dessa magnitude sem políticas de ocupação permanente.
“O que se vê é a repetição de uma estratégia baseada apenas no confronto armado, que não resulta em estabilidade duradoura nem reduz o poder das facções”, avalia um especialista ouvido pela reportagem. “Enquanto o Estado entra e sai das comunidades à bala, o tráfico volta a ocupar o espaço deixado pela ausência de políticas sociais e pela omissão do poder público.”
A operação escancarou a fragilidade da política de segurança fluminense, que oscila entre a reação violenta e a falta de continuidade institucional. O resultado é um ciclo previsível, vidas perdidas, comunidades traumatizadas e a manutenção de um sistema em que o Estado e o crime disputam, com armas nas mãos, o mesmo território.