Sífilis congênita recua em 2025, mas infecções em adultos continuam subindo
Léo Carvalho
Publicado em 31 de outubro de 2025 às 12:40 | Atualizado há 9 meses
Em Goiás, houve queda no número de casos de sífilis entre 2024 e 2025
O Ministério da Saúde (MS) divulgou recentemente o Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, que apontou queda no número de casos de sífilis congênita (infecção transmitida de mãe para o bebê durante a gestação ou parto) pela primeira vez em três anos. Em 2024, foram notificados 24.443 diagnósticos, uma redução de 2.677 casos em relação a 2022.
Segundo o MS, a taxa de sífilis congênita em 2024 foi de 9,6 casos por mil nascidos vivos, com 183 óbitos em menores de um ano, o equivalente a um coeficiente de mortalidade infantil de 7,2 por 100 mil nascidos vivos. O relatório aponta que Estados como Tocantins (17,8) e Espírito Santo (12,9) apresentaram taxas acima da média nacional, enquanto o Rio de Janeiro liderou entre gestantes, com 68,3 casos por mil nascidos vivos.
Por outro lado, apesar da queda da transmissão da doença de mãe para filho, a sífilis adquirida segue crescendo, principalmente entre adultos acima de 40 anos, grupo que antes apresentava baixa incidência, mas que vem registrando aumento constante desde 2021. O crescimento, entre 2021 e 2022, passaram de 76,8 para 98,8 casos por 100 mil habitantes na faixa de 40 a 49 anos, e de 50,6 para 67,6 por 100 mil entre pessoas com 50 anos ou mais.
Dados de Goiás
Em Goiás, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) divulgou dados de janeiro a outubro de 2025 sobre a sífilis no estado e apontou até o momento uma redução geral nos casos da doença, em comparação com todo o ano anterior.
De acordo com o levantamento, os casos de sífilis adquirida, que atingem adultos com mais de 14 anos, caíram de 10.148 registros em 2024 para 8.085 em 2025, uma redução de 20,3% (menos 2.063 casos).
Mamães goianas
Entre as gestantes, a queda foi ainda mais acentuada: de 3.304 casos em 2024 para 2.377 em 2025, o que representa uma diminuição de 28,1% (menos 927 casos). A SES-GO destaca que a notificação dos casos em gestantes é feita por gestação.

A sífilis congênita, que ocorre quando a infecção é transmitida de mãe para o bebê durante a gestação, também apresentou queda, passando de 514 casos em 2024 para 469 em 2025, uma redução de 8,8%.
Apesar da melhora nos indicadores gerais em Goiás, ainda faltam dois meses para o fim de 2025. No entanto, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a expectativa é de que os números atuais não ultrapassem os de 2024. O que ainda preocupa são os óbitos por sífilis congênita: no ano passado, foram registradas seis mortes em decorrência da doença, e até outubro deste ano o mesmo número já foi alcançado, indicando que a letalidade permanece estável, mesmo com a redução no total de casos.
Prevenção e diagnóstico
Por isso, o avanço no controle da transmissão reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para evitar novas infecções e complicações da doença em Goiás e em todo o Brasil.
A queda no número de casos de sífilis vertical (transmitida da mãe para o bebê) em 2025 só foi possível graças ao tratamento precoce e à ampla distribuição de 6,5 milhões de testes rápidos combinados, voltados especialmente para gestantes e populações vulneráveis.
O Ministério da Saúde destaca que a epidemia ainda é mais intensa entre os jovens, mas o aumento consistente entre faixas etárias mais avançadas reforça a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção e diagnóstico. A sífilis, causada pela bactéria Treponema pallidum, é transmitida principalmente por relações sexuais desprotegidas e também da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. O tratamento é simples, gratuito e eficaz, realizado com penicilina benzatina pelo Sistema Único de Saúde (SUS).