Diagnósticos de depressão avançam 28% em Goiás, revela pesquisa
Redação Online
Publicado em 6 de novembro de 2025 às 15:29 | Atualizado há 12 meses
A proporção de pessoas que avaliam negativamente o próprio estado de saúde também cresceu
A saúde mental dos goianos apresentou piora significativa, segundo a Vigitel Goiás 2025, divulgada na quarta-feira (05/11) pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). O levantamento mostrou aumento de 28% nos diagnósticos de depressão em comparação a 2022. Naquele ano, 12,1% da população relatou o quadro; agora, o índice chegou a 15,5%. A proporção de pessoas que avaliam negativamente o próprio estado de saúde também cresceu, ao saltar de 6,0% para 8,1%.
A psicóloga Catyane Souza, especialista em psicanálise, explica que a depressão nem sempre se manifesta pela tristeza. “Às vezes, surge como uma aceleração: o sujeito sente necessidade de estar sempre ocupado”, observa. Para ela, muitas expressões de sofrimento psíquico são rotuladas como depressão, embora não correspondam a diagnósticos clínicos formais, o que revela um cenário de maior angústia coletiva.
Catyane ressalta que a pandemia foi um marco de dor emocional. O isolamento, a insegurança financeira e o medo da morte deixaram marcas profundas. “É difícil mensurar o tamanho do trauma social”, afirma. O psiquiatra Flávio Augusto de Morais, cooperado da Unimed Goiânia, concorda e acrescenta que os efeitos psicológicos da pandemia persistem. “Mesmo após o período crítico, transtornos como a depressão tendem a se manter de forma crônica”, explica.
O médico alerta ainda para o impacto do uso excessivo de telas e redes sociais. “A exposição constante a conteúdos rápidos e comparações incessantes prejudica a autoestima e favorece sintomas depressivos”, analisa. Ele também destaca o papel do consumo de álcool como fator de risco: “Apesar de uma leve queda no uso abusivo, os índices seguem altos, e o álcool está diretamente ligado à depressão”.
Para o psiquiatra, há um aspecto positivo nesse cenário: a ampliação da consciência sobre saúde mental. Mais pessoas têm reconhecido sinais de sofrimento e buscado ajuda. “O aumento de diagnósticos pode refletir também uma procura maior por atendimento, o que é um avanço”, afirma.
O Vigitel Goiás é uma versão regional da pesquisa nacional de Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, coordenada pelo Ministério da Saúde. Goiás e São Paulo são os únicos estados que realizam o levantamento em nível estadual. Em 2025, o estudo entrevistou 18.075 pessoas com mais de 18 anos, entre janeiro e maio e abrangeu as 18 regionais de saúde do Estado.
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