Gabriel Sebastian fala sobre lançamento de “Esposo” e “Você Não Vale Nada”
Redação Online
Publicado em 6 de novembro de 2025 às 20:02 | Atualizado há 7 meses
Foto: Divulgação
Com o lançamento de “Esposo”, Gabriel Sebastian mergulhou em uma conversa sincera sobre desejo, espiritualidade e a transformação de suas vivências em arte. Unindo sensualidade e poesia, o artista revela como sua conexão com a natureza, suas influências visuais e a busca por autenticidade moldam um projeto que vai além da música, uma verdadeira expressão de intensidade e autoconhecimento.
Depois de explorar a sensualidade mística e o desejo em “Esposo”, Gabriel Sebastian trouxe uma nova experimentação sonora. Em “Você Não Vale Nada”, o artista apresenta uma versão ousada e contemporânea do sucesso do grupo Calcinha Preta, mesclando pop eletrônico, hyperpop e referências à música nordestina, criando um som que é ao mesmo tempo nostálgico e futurista.
O Diário da Manhã conversou com o cantor e compositor sobre seus últimos lançamentos.
Confira a entrevista na íntegra:
O Diário da Manhã: O título “Esposo” carrega um peso tradicional, quase sagrado, que contrasta diretamente com a figura do “putão safado” que você menciona na letra. Por que você escolheu justamente esse título para explorar a complexidade dos desejos nos relacionamentos modernos?
Gabriel Sebastian: Engraçado, porque isso foi a última coisa que decidi nessa música. Quando fiz a música, salvamos o projeto como “Mantra do Puto”, mas eu sabia que esse título não comunicaria nada nesse momento. Depois de ouvir a música diversas vezes, decidi que o nome seria “Esposo” porque eu poderia, com esse nome, me comunicar com meu público. Eles estão me chamando de Esposo agora e é legal, pois sinto que a arte gerou conexão. A música tem esse tom irônico do sexo como devoção — aquela relação que transcende a futilidade, a busca por uma conexão profunda, que é o que busco nas minhas relações. Sou escorpiano, sou intenso!
O Diário da Manhã: A letra é bastante direta e provocativa. Ao escrever versos como “Sei que gosta muito da minha cara de puto”, você busca quebrar tabus sobre a sensualidade masculina e o que se espera de um parceiro para a vida? Qual reação você espera do público com essa honestidade crua?
Gabriel Sebastian: São verdades transformadas em música (Risos). Esse ano eu assisti ao filme sobre o Erasmo Carlos e, como ele mesmo diz, “eu tenho que manter minha fama de mau”. A pessoa que se relacionar comigo vai entender até onde vai minha arte, tenho certeza disso! Eu transformo minha vida em arte — canto minhas verdades e as transformo em poesia. Na música eu canto “acendo um incenso pra criar um clima”, e eu estava literalmente acendendo um incenso na hora que compus a música.
O Diário da Manhã: No clipe, vemos um cenário que é ao mesmo tempo um estúdio e um altar na floresta. Você mencionou que o local representa um espaço “sagrado e ao mesmo tempo profano”. Pode falar mais sobre como você e o diretor, The Silvert, desenvolveram esse conceito visual para traduzir a dualidade da música?
Gabriel Sebastian: O clipe ainda vem aí, esse não é o clipe — é a performance da música para trazer a experiência do ao vivo. Escolhi essa floresta como símbolo da conexão da minha arte com minha espiritualidade. A música “Esposo” me traz muito pra essa natureza viva que existe dentro de mim. Sou muito conectado com a natureza, sou do povo da mata e quis criar esse estúdio para mostrar que minha música vem de lá, da energia da natureza, do mato. Cresci em uma região do Maranhão longe da cidade grande, rodeado por natureza, e nos últimos sete anos ando rodando sem rumo pelo país, passando boa parte em São Paulo — mas quando estou na natureza é quando mais me sinto em casa.
O Diário da Manhã: A sonoridade de “Esposo” funde a batida pesada do trap com a melodia envolvente do R&B. Como foi o processo criativo ao lado do produtor Markim para encontrar o som exato que representasse essa tensão entre o selvagem e o acolhedor que a letra propõe?
Gabriel Sebastian: Foi muito natural. Eu já tinha esse refrão na cabeça como gancho pra criar a música. Usamos um beat de trap pra eu ter liberdade de compor, e comecei a cantar a melodia do início como um mantra. O Markim disse: “Isso lembra som esotérico, poderíamos trabalhar com isso”, e eu topei na hora. A partir daí comecei a criar metáforas poéticas pra falar de sexo de forma mais complexa. Eu vejo arte em tudo, e isso sempre foi uma discussão na minha vida.
Lembro de discutir com meu professor de artes no ensino médio que a arte erótica era sim arte, e não necessariamente pornografia — era uma expressão artística como qualquer outra. Toda a sala ria das minhas opiniões impopulares e me chamava de doido. Foi um processo muito natural fazer essa música — e aconteceu um dia depois de eu alcançar meu primeiro orgasmo do ano. Isso foi tão intenso que se transformou em arte.
O Diário da Manhã: Sua performance no vídeo é muito solitária e intensa, quase como um ritual. O que você estava sentindo e buscando canalizar durante aquela gravação na floresta? Foi um processo de autoconhecimento para você também?
Gabriel Sebastian: No meu papel de parede do celular tem a imagem do Deus Pan da mitologia grega. Quando eu era criança, um tio meu me deu uma coletânea de livros de mitologia grega, e o meu favorito era o do Pan — um ser místico da floresta. É assim que me faço pertencer nessa performance. A natureza é um espaço místico: as pessoas buscam poder em coisas materiais, mas o maior poder está na natureza. Na minha performance, busco fazer parte desse cenário. Isso é bem comum na minha rotina — andar pelo parque e cantar pras árvores. Desde que me entendo por gente, a natureza sempre foi o meu palco.
O Diário da Manhã: Sua identidade visual, com tatuagens, correntes e um estilo autêntico, é parte fundamental da sua expressão artística. Como você enxerga a conexão entre sua estética e as narrativas de paixão, vulnerabilidade e intensidade presentes em suas composições?
Gabriel Sebastian: É tudo que eu sou — a intensidade em pessoa, da forma mais autêntica possível. Trago a fantasia fashion emo, o rock e muitas coisas que sempre me influenciaram desde criança. Meu visual fala também do meu momento atual: vivo em São Paulo, onde me adaptei a um estilo urbano, mas sigo na busca por essa natureza que hoje está distante. Na própria música eu falo “puxa de lado tua calcinha é como abrir a cortina e ver o mar”. Não tem mar — ele está longe. Eu cresci numa região em que em 10 minutos andando eu já estava na praia. Agora, a sensação de estar perto do mar eu encontro em outras formas de prazer da vida.
O Diário da Manhã: Com “Esposo”, você se posiciona como uma voz disposta a explorar temas complexos na nova música brasileira. Depois de mergulhar na dualidade do desejo e da devoção, quais outras facetas dos relacionamentos e do comportamento humano você pretende explorar em seus futuros projetos?
Gabriel Sebastian: Esposo faz parte de um projeto poético que vem por aí, e as músicas todas exploram relacionamentos sob um ponto de vista mais místico, teatral e poético, trazendo diversas figuras de linguagem para criar um universo para os meus seguidores.
O Diário da Manhã: O single “Você Não Vale Nada” tem uma pegada bem pop e eletrônica. Como foi o processo criativo dessa produção ao trazer um sample do grupo Calcinha Preta?
Gabriel Sebastian: Não seria bem um sample, e sim uma versão mesmo. Eu comecei essa ideia antes da pandemia. Estava viciado em “Bad Guy” da Billie Eilish, e numa brincadeira comecei a cantar “Você Não Vale Nada” do Calcinha Preta em cima da música. Quando decidi produzir, queria algo que soasse novo e futurístico. Estudando tendências musicais, eu sabia da força do hyperpop pra década de 2020 — não é à toa que Brat da Charli é o som de uma nova geração: sons distorcidos, atmosfera caótica. Assim nasceu a música.
O Diário da Manhã: Qual mensagem você quis transmitir com ela?
Gabriel Sebastian: Quero brincar com o passado e o futuro, fazendo releituras de clássicos das músicas que cresci ouvindo e transformando elas em algo totalmente novo. Como fiz com “Borbulhas de Amor” do Fagner, que transformei em um MTG e chamei de “Dentro de Ti”.