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Jards Macalé, artista multifacetado da música brasileira morre aos 82 anos

Redação Online

Publicado em 17 de novembro de 2025 às 19:18 | Atualizado há 8 meses

Sua última apresentação ocorreu no festival Doce Maravilha, no Rio de Janeiro
Sua última apresentação ocorreu no festival Doce Maravilha, no Rio de Janeiro

Jards Macalé, figura singular e multifacetada da música popular brasileira, faleceu nesta segunda-feira (17/11) aos 82 anos. Sua carreira, marcada por constante reinvenção e compromisso artístico, deixou marca indelével na cultura nacional através de discos históricos e participações emblemáticas.

Sua equipe confirmou o falecimento nas redes sociais, revelando que mesmo após cirurgia recente o artista manteve seu espírito criativo: “Chegou a acordar de uma cirurgia cantando ‘Meu Nome é Gal’, com toda a energia e bom humor que sempre teve”. Sua última apresentação ocorreu no festival Doce Maravilha, no Rio de Janeiro.

Seu disco homônimo de 1972, lançado no auge da repressão ditatorial, continha versos que transcendem o tempo: “não me calo”, “já comi muito da farinha do desprezo” e “também posso chorar”. Sua produção recente inclui “Coração Bifurcado” (2023) com Maria Bethânia e “Besta Fera” (2019), resposta artística ao cenário político.

Da Tijuca aos redutos de Copacabana e Ipanema, Macalé construiu carreira independente de grupos ou movimentos. Fred Coelho resume em “Eu só Faço O que Quero”: “andou em grupos, mas nunca fez parte deles de fato”, preferindo forjar linguagem artística própria e inconfundível.

Sua arte sempre dialogou com a política – da resistência à ditadura às críticas ao governo Bolsonaro e ao emocionado show na posse de Lula. Definia o amor como “gesto político” e manteve até o fim a coerência com seus princípios artísticos e ideológicos.

Foto: Léo Aversa

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