Moraes vê risco de fuga e diz que Bolsonaro violou tornozeleira eletrônica
Redação Online
Publicado em 22 de novembro de 2025 às 18:46 | Atualizado há 8 meses
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro neste sábado (22/11), após receber relatório técnico sobre violação da tornozeleira eletrônica utilizada por ele desde julho. Segundo o documento, o equipamento foi alvo de tentativa de rompimento às 0h08min, fato considerado pelo ministro como indício de tentativa de fuga, agravada pela convocação de uma vigília por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no local da prisão domiciliar.
Moraes citou a curta distância — cerca de 13 km — entre o condomínio de Bolsonaro e a Embaixada dos Estados Unidos, após afirmar que o trajeto pode ser feito em 15 minutos de carro. Segundo o ministro, esse fator, somado à mobilização de apoiadores e ao histórico de planejamento de asilo em sedes diplomáticas, reforça o risco real de fuga do condenado, que cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
Para o STF, a convocação da vigília simboliza a repetição de um modus operandi já identificado nas investigações: o uso de manifestações populares como instrumento de obstrução da Justiça. A decisão menciona que a reunião pública teria o objetivo de dificultar a fiscalização da Polícia Federal e da Polícia Penal do DF, o que configura violação direta às condições da prisão domiciliar.
A equipe jurídica de Bolsonaro classificou a decisão como “perplexa” e afirmou que a vigília se tratava de “oração”. Os advogados também destacaram o estado de saúde do ex-presidente e afirmaram que a prisão coloca sua vida em risco. Informaram ainda que recorrerão da decisão do ministro Alexandre de Moraes nos próximos dias.
O magistrado lembrou que aliados políticos de Bolsonaro também deixaram o país após condenações, como os deputados Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro. A decisão ressalta que todas as medidas possíveis para manter a prisão domiciliar já haviam sido adotadas, incluindo monitoramento contínuo e escoltas policiais, sem garantir, no entanto, o controle do risco de fuga.
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