Solidão cresce no mundo e já afeta 1 em cada 6 pessoas, alerta a OMS
Gabriel Maia - Estágio DM
Publicado em 25 de novembro de 2025 às 11:18 | Atualizado há 7 meses
Estudo da OMS mostra avanço global da solidão e seus impactos na saúde, no bem-estar e na vida comunitária |Foto: Reprodução
Um levantamento da Organização Mundial da Saúde revela que uma em cada seis pessoas enfrenta solidão, especialmente jovens e moradores de países de baixa e média renda. Entre adolescentes e jovens de 13 a 29 anos, o sentimento de solidão varia entre 17% e 21%. O estudo mostra ainda que 24% da população em países de baixa renda relatam solidão, enquanto em nações de alta renda o índice cai para 11%.
Segundo a OMS, grupos historicamente vulnerabilizados, como pessoas com deficiência, refugiados, população LGBTQIA+, indígenas e minorias étnicas, enfrentam discriminação e barreiras que dificultam a construção de vínculos sociais. Já o isolamento social atinge uma em cada três pessoas e um em cada quatro adolescentes.
A solidão, entendida como sentir-se sozinho, e o isolamento social, que corresponde a estar sozinho, têm múltiplas causas. Entre elas estão saúde debilitada, baixa escolaridade, ausência ou falhas de políticas públicas, infraestrutura comunitária precária, impacto das tecnologias digitais e condições de pobreza. O cenário reforça o alerta sobre os efeitos do uso excessivo de telas e das interações online negativas na saúde mental e no bem-estar da juventude.
De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, “nesta era em que as possibilidades de conexão são infinitas, cada vez mais pessoas se sentem isoladas e solitárias”, disse Tedros no relatório. Ele destaca ainda que a solidão se tornou um fenômeno global e urgente.
Mundo solitário
A OMS aponta que ambos os problemas são amplamente disseminados e afetam cerca de 16% da população mundial. Embora mais frequentes entre jovens e adolescentes, também atingem pessoas de todas as idades, incluindo idosos, que registram índice aproximado de 11,8%. As consequências são expressivas na saúde física e emocional, influenciando a qualidade e a expectativa de vida. Por isso, solidão e isolamento social já são tratados como prioridade de saúde pública e preocupação política global.
Classificada como epidemia mundial em janeiro deste ano, a solidão levou a OMS a criar a Comissão Internacional para Conexão Social, que reforça que relações sociais fortes protegem a saúde, reduzem inflamações, diminuem o risco de doenças graves e contribuem para comunidades mais seguras e prósperas. O estudo também evidencia que solidão e isolamento elevam o risco de acidente vascular cerebral, doenças cardíacas, diabetes e declínio cognitivo.
Os impactos vão além e comprometem também a aprendizagem e o acesso ao emprego. De acordo com a OMS, a solidão enfraquece a coesão social e gera perdas bilionárias em produtividade e em custos de saúde, enquanto comunidades com vínculos sociais sólidos tendem a ser mais saudáveis, resilientes e seguras.
A organização alerta ainda que a solidão pode desencadear ansiedade e pensamentos de automutilação ou suicídio. “A solidão também pode levar à ansiedade e a pensamentos de automutilação ou suicídio. É um problema de saúde pública que merece atenção urgente”, afirmou a OMS no documento.