Morre José Gonzaga Ribeiro aos 87 anos referência humana do Monumento às Três Raças
Léo Carvalho
Publicado em 27 de novembro de 2025 às 16:30 | Atualizado há 6 meses
José Gonzaga Ribeiro integrou o grupo de modelos que inspirou a escultura de Neusa Moraes na Praça Cívica | Foto: Reprodução
José Gonzaga Ribeiro, professor aposentado e figura ligada à memória cultural de Goiânia, morreu na noite desta quarta-feira (26) aos 87 anos. Ele foi um dos modelos que serviram de base para o Monumento às Três Raças, obra da artista Neusa Moraes instalada na Praça Cívica, em frente ao Palácio das Esmeraldas, no Centro da cidade, e considerada um dos principais marcos simbólicos da capital. Gonzaga representou a figura do homem negro na composição que homenageia as matrizes indígena, negra e branca na formação do povo goiano.
Nascido em Caldas Novas, Gonzaga também construiu uma trajetória sólida na educação técnica. Atuou como professor de eletromecânica na escola técnica federal, trabalhou no Senai e integrou o conselho do Sindicato das Indústrias Mecânicas, Metalúrgicas e de Material Elétrico de Goiás. Ao longo da carreira, contribuiu para formar profissionais e fortalecer o ensino voltado à indústria, mantendo o mesmo compromisso com memória e diversidade que marcou sua relação com a arte pública da cidade.
Gonzaga morreu em decorrência de complicações cirúrgicas após uma queda. Torcedor do Vila Nova, deixa esposa, filhos, netos e uma bisneta. O velório ocorre no Cemitério Vale do Cerrado e o sepultamento está previsto para esta quinta-feira às 17 horas. A despedida mobiliza familiares, amigos e a comunidade que reconhece sua importância na história cultural e educacional de Goiânia.
Breve histórico do Monumento
O Monumento às Três Raças, esculpido em 1968 por Neusa Moraes em granito e bronze, representa a combinação de raízes que formaram o povo goiano. A obra tem como referência a presença indígena que já ocupava a região, os negros trazidos pelos bandeirantes durante o ciclo do ouro e os brancos que lideraram a colonização da antiga Vila Boa, atual cidade de Goiás. Esse encontro entre etnias começou no século XVIII, quando as expedições paulistas chegaram ao território em busca de minas, consolidando as bases sociais e culturais que mais tarde se ampliariam com o crescimento do estado.
Com a transferência da capital para Goiânia, o processo de desenvolvimento se intensificou e reforçou a convivência dessas matrizes históricas. As três figuras que sustentam o brasão da cidade simbolizam essa miscigenação e também reconhecem os imigrantes que adotaram Goiás como destino. Hoje o monumento se mantém como um dos principais símbolos urbanos da capital e pode ser visitado livremente no centro da cidade.
