Ex-prefeito de Joviânia é indiciado por esquema de compra de votos na eleição de 2024
Léo Carvalho
Publicado em 28 de novembro de 2025 às 16:26 | Atualizado há 6 meses
A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito que apura crimes eleitorais cometidos durante a campanha municipal de 2024 em Joviânia, no Estado de Goiás, e indiciou o ex-prefeito e então candidato Renis Eustáquio Gonçalves. O relatório final descreve um esquema estruturado para compra de votos e abuso de poder econômico, sustentado por mais de R$ 1,6 milhão apreendidos em dinheiro vivo no auge da disputa eleitoral.
O documento, com mais de quarenta páginas, detalha como o valor total de R$ 1.625.417,00 estava fracionado em 5.451 maços de R$ 300, quantia que a polícia considera compatível com pagamentos individuais a eleitores. As investigações apontam que a quantia circulava paralelamente à contabilidade oficial da campanha e abastecia um sistema de distribuição de vantagens em troca de apoio nas urnas.
A perícia também destacou registros de abastecimento de combustíveis usados para fornecer gasolina a eleitores, cabos eleitorais e colaboradores. Esses dados reforçaram a suspeita de captação ilícita de sufrágio por meio da oferta de benefícios materiais, prática entendida como estratégia para ampliar o alcance do esquema.
Segundo os investigadores, depoimentos, documentos apreendidos e análises periciais comprovam que Renis e outros envolvidos ofereceram e entregaram vantagens indevidas em troca de votos. A Polícia Civil afirma que essa prática se encaixa no artigo 299 do Código Eleitoral, que prevê punição para quem oferece, promete ou entrega qualquer benefício a eleitores com o objetivo de influenciar o voto ou desestimular a participação. O relatório também recomenda o envio das informações à Receita Federal para que a origem e a movimentação do dinheiro apreendido sejam apuradas.
Com o indiciamento formalizado, o caso segue agora para o Ministério Público, que decidirá sobre eventual denúncia à Justiça Eleitoral.