Cotidiano

Menos mulheres goianas adotam sobrenome do marido e tradição perde força

Gabriel Maia - Estágio DM

Publicado em 3 de dezembro de 2025 às 09:55 | Atualizado há 8 meses

Mulheres optam por manter o sobrenome de origem após o casamento em Goiás refletindo mudança cultural e maior autonomia feminina |Foto: Freepik
Mulheres optam por manter o sobrenome de origem após o casamento em Goiás refletindo mudança cultural e maior autonomia feminina |Foto: Freepik

Um relatório realizado pelos Cartórios de Registro Civil de Goiás revelou que o número de mulheres goianas que adotam o sobrenome dos maridos vem diminuindo nos últimos anos. Em 2024, apenas 27,77% dos casamentos realizados no estado tiveram a mulher optando por adotar o sobrenome do marido. Essa é a menor porcentagem desde a edição do Código Civil de 2003, quando o índice era próximo a 40%.

No mesmo período, no país, foram realizados 936.555 casamentos, mas em apenas 371.206 deles a companheira aceitou adotar o sobrenome do marido. Em 2003, o cenário era diferente: 370.141 mulheres adotaram o sobrenome do marido entre um total de 748.981 casamentos.

O levantamento evidencia uma tendência nacional. Desde a promulgação do Código Civil em 2002, o percentual de mulheres que adotam o sobrenome do marido caiu cerca de 24%. Na primeira década pós-Código, entre 2002 e 2010, a média nacional era de 52,5%. Já entre 2011 e 2020, caiu para cerca de 45%. Em Goiás, a tendência acompanha essa redução, com queda constante ao longo das últimas duas décadas.

Outros estados também registram números semelhantes. No Mato Grosso do Sul, apenas 34,2% das mulheres adotaram o sobrenome do marido em 2024, enquanto no Distrito Federal o percentual foi de 30,25%. Esses dados indicam que a opção de manter o sobrenome de origem se tornou majoritária em diversas regiões do país.

Especialistas interpretam a mudança como reflexo de transformações sociais, com maior valorização da autonomia feminina, identidade individual e igualdade de gênero, além de questões práticas relacionadas à documentação. Embora a lei permita que o marido também adote o sobrenome da esposa, essa prática continua extremamente rara. Em 2022, apenas 0,7% dos casamentos registraram essa opção.

Em Goiás, a evolução histórica da adoção do sobrenome do marido evidencia a mudança cultural. Os dados mostram:
2003 – 39,5%
2010 – 35%
2015 – 32%
2020 – 29%
2024 – 27,77%


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