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Livro de PX Silveira celebra vida intelectual e sacerdotal do padre César Luís Garcia

Redação Online

Publicado em 3 de dezembro de 2025 às 22:58 | Atualizado há 6 meses

Padre César em passeio na Serra Dourada
Padre César em passeio na Serra Dourada

Marcus Vinícius Beck

Faltavam 25 minutos para a meia-noite quando o padre César Luís Garcia se desligou da vida. Aos 71 anos — dos quais 40 dedicados ao sacerdócio —, o religioso chegava à história após ser vitimado por um agressivo câncer ósseo que se iniciara na região da pelve.

Até a noite daquele dia 11 de julho de 2025, o padre conviveu com dores. Eram fortes dores, terríveis, mas não apagaram seu sorriso gentil e suas palavras sagradas. Nem seu jeito livre de amarras ou seu humanismo. Em vida, traduziu aquilo que professava aos goianos.

Sua jornada é celebrada no livro “Vida é Obra”, coordenado pelo biógrafo e gestor cultural PX Silveira. A obra, lançada nesta quinta-feira (4/12), na Paróquia Mãe de Misericórdia, no Setor Sul, às 19h, traz 30 depoimentos de personalidades que o conheceram e o admiravam.

Detalhe: o evento ocorre na Praça Padre César Garcia, nomeada dessa forma pelo vereador Anselmo Pereira. A solenidade tem apresentação do Coral das Onze & Meia, criado pelo religioso em homenagem à musicista Dona Fifia e mantido pelo Instituto ArteCidadania.

O livro possui apresentação do arcebispo dom João Justino, além de ter participação de jornalistas, empresários, artistas, arquitetos, professores, advogados e autoridades públicas. Conhecido pelo compromisso com o evangelho, o padre César marcou a sociedade goiana.

César Luís Garcia foi ordenado ao sacerdócio pelas mãos de Fernando Gomes dos Santos em 1984 — Foto: Acervo da família

Humanismo

PX acentua que o pároco deu corpo aos pensamentos mais sublimes em direção aos seus semelhantes. “Se fez exemplo demasiadamente humano, e assim multiplicou as palavras e fez valer sua obra; lhe está servida a Ceia, padre César Garcia”, enfatiza o biógrafo.

Pelas mãos de dom Fernando Gomes dos Santos — primeiro arcebispo de Goiânia —, foi ordenado sacerdote em 12 de dezembro de 1984. Desde então, ensinou a doutrina e viveu de acordo com o catolicismo. Guiava-se, sem abrir mão da fé, pela coragem de falar a todos.

De 1984 até hoje, o mundo viu quatro papas. João Paulo (1978 a 2005) foi sucedido por Bento XVI (2005 a 2013). Francisco, primeiro pontífice da América Latina, elegeu-se em 2013 e permaneceu no cargo máximo até abril de 2025. Leão XIV o seguiu — é o atual Santo Padre.

O padre César seguia o espírito reformista de Francisco, a ponto de obter, em 2014, projeção nacional ao abençoar a união homoafetiva de um casal do qual se assumia amigo. Na época, defendeu-se e disse ter falado de amor e vida: “Nada que contrariasse a lei canônica.”

Ainda assim, o gesto lhe causou uma suspensão temporária de suas funções. Tempos depois, o Tribunal Eclesiástico, em Brasília, reconduziu-o ao sacerdócio. Ali, destacou-se por uma prática cristã fundamentada no amor ao próximo, na escuta atenta e na dignidade humana.

Para PX, o padre César conquistou “muitos feitos”. “Planejou e conduziu a construção da Paróquia Auxílio dos Cristãos, no Setor Sudoeste, foi o primeiro a transmitir uma missa via internet e logrou ressignificar a presença do homem de Deus na sociedade goiana”, afirma.

Territórios da fé

Padre César marcou cenário intelectual goiano com erudição – Foto: Leonardo Ribeiro

Nascido em 4 de dezembro de 1953, em Itauçu, o padre César administrou “territórios da fé”: Igreja Nossa Senhora das Graças, a primeira de Goiânia; Paróquia São Leopoldo Mandic, no Jaó, dedicada ao padre Zezinho; e Paróquia Mãe de Misericórdia, no Setor Sul.

Erudito, enriqueceu a intelectualidade goiana não apenas com o sacerdócio, mas também como estudioso da cultura: licenciou-se em Filosofia, graduou-se em Teologia e conhecia artes plásticas. Dominava ainda o francês e o espanhol, bem como o latim — base das línguas neolatinas.

Extrapolou os limites da Igreja Católica — tornou-se professor universitário, secretário municipal de cultura, presidente do programa de proteção de testemunhas do Estado de Goiás (Provita), assessor especial em relações internacionais e antropólogo das viagens.

Foi um homem das palavras e, sobretudo, um amigo das ideias. Por isso, imprimiu sua marca também como autor dos livros “Confaloni no Presente”, sobre o artista plástico modernista Frei Confaloni, e “Iris”, no qual escreve acerca do ex-prefeito Iris Rezende.

Autor de “Vida é Obra”, PX Silveira o descreve como “atencioso e aberto”. “Além de seu tempo, ouvia a todos e, sem se escandalizar dos pecados dos outros, invocava-lhes a misericórdia de Deus”, sublinha, destacando a disponibilidade para discutir teologia.

“Era conhecedor do hebraico e grego, fontes do Primeiro e do Novo Testamento bíblico”, revela PX. “Agradecemos a Deus em ter nos enviado esta bondosa alma para dar testemunho do amor de Jesus como vigário paroquial.”

Foto de destaque: PX Silveira


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