Flamengo propõe padronização dos gramados e pede fim da grama sintética
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 9 de dezembro de 2025 às 15:58 | Atualizado há 6 meses
o Flamengo informou que a proposta foi apresentada como resposta formal a um pedido da CBF. | Foto: Reprodução Flamengo/CBF.
Na noite da última segunda-feira (8), o Flamengo protocolou junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) uma proposta para criar um padrão nacional de qualidade para os gramados utilizados no futebol brasileiro. A iniciativa, segundo o clube, faz parte de um movimento para elevar o nível estrutural do futebol no país e aproximá-lo dos centros mais desenvolvidos do esporte.
No documento enviado à entidade, o clube se posicionou de forma contrária ao uso de gramados sintéticos em competições de alto rendimento. Em nota, o Flamengo argumentou que esse tipo de campo não oferece condições ideais para o futebol profissional e destacou que as principais ligas europeias não permitem o uso desse material. O clube também afirmou que campeonatos de países como Argentina, Uruguai e Colômbia não utilizam gramados artificiais e ressaltou que nenhuma nação campeã do mundo adota esse tipo de superfície. Ainda segundo o levantamento apresentado, não foram registrados jogos da primeira divisão, na temporada de 2025, nessas ligas, disputados em campos artificiais.
O clube carioca sugeriu a criação de um período de adaptação para as equipes que atualmente utilizam gramado sintético. A proposta prevê que clubes da Série A tenham até 2027 para fazer a transição para gramados naturais, enquanto as equipes da Série B teriam prazo até 2028. Mesmo com a defesa do fim do uso do sintético, o Flamengo também propôs a definição de critérios mínimos de qualidade para esse tipo de campo durante o período de adaptação.
Além disso, o clube defendeu que a padronização não deve se limitar à proibição do gramado artificial, mas que também sejam estabelecidas exigências técnicas mínimas para os gramados naturais. Segundo a proposta, esses critérios devem se basear em normas adotadas pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) e pela União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), com adequações à realidade do futebol brasileiro.
O Flamengo informou ainda que entregou ao grupo de trabalho da CBF um documento técnico detalhado, com propostas de testes e parâmetros para avaliação das condições dos campos. Entre os itens sugeridos estão testes de rolagem de bola, absorção de impacto e rigidez da superfície, independentemente do tipo de gramado utilizado.
O clube também propôs a adoção de padrões mínimos de infraestrutura válidos tanto para campos naturais quanto sintéticos. As sugestões incluem a obrigatoriedade de sistemas de irrigação e drenagem, equipamentos adequados de manutenção, especificação técnica da base estrutural, definição do tipo de grama ou fibra sintética, controle de pragas e doenças e nivelamento regular da superfície. O objetivo, segundo o Flamengo, é garantir que, a partir de 2026, os estádios apresentem comportamento uniforme na interação entre bola, superfície e jogadores.
Por fim, o Flamengo informou que a proposta foi apresentada como resposta formal a um pedido da CBF, que solicitou contribuições dos clubes para a atualização do Regulamento Geral de Competições (RGC) e do Regulamento Específico de Competições (REC) do Brasileirão de 2026. O clube aguarda agora a formalização do grupo de trabalho que irá analisar o tema.