Lula propõe encontro entre os Três Poderes para discutir o combate ao feminicídio
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 9 de dezembro de 2025 às 16:23 | Atualizado há 6 meses
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou na última segunda-feira (8) que pretende convocar uma reunião com representantes dos três Poderes. | Foto: Ricardo Stuckert/PR.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou na última segunda-feira (8) que pretende convocar uma reunião com representantes dos três Poderes e de diferentes setores da sociedade para organizar um “mutirão educacional” de enfrentamento à violência contra as mulheres. A proposta surge em meio à crescente comoção nacional provocada pelo aumento de casos de feminicídio e pelas manifestações realizadas em diversas cidades do país nos últimos dias.
Durante discurso na 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, em Brasília, Lula defendeu a união de instituições e lideranças sociais para ampliar o debate. “É importante envolver o Congresso Nacional, o Senado, a Câmara, a Suprema Corte, o Superior Tribunal de Justiça, os tribunais estaduais, sindicalistas e lideranças religiosas. É preciso juntar todo mundo para fazer um mutirão educacional”, afirmou.
O presidente disse que ainda não há uma data definida, mas que pretende realizar o encontro até o fim deste ano. “Nós temos que ficar indignados com a violência contra as mulheres”, declarou.
Lula também citou casos recentes que chocaram o país. Entre eles, o de Tainara Souza Santos, de 31 anos, atropelada e arrastada por um veículo por cerca de um quilômetro em São Paulo. O crime ocorreu em 29 de novembro e, após o ataque, a vítima teve as pernas amputadas e permanece internada. O suspeito é Douglas Alves da Silva, de 26 anos. O presidente também mencionou o caso registrado no Recife, em que um homem de 39 anos foi preso após ser acusado de provocar um incêndio que matou a esposa grávida e os quatro filhos do casal.
O chefe do Executivo voltou a defender o envolvimento dos homens no enfrentamento à violência de gênero. “Combater o feminicídio e a violência não é tarefa das mulheres. Me perdoem, meus queridos homens, essa responsabilidade é nossa”, disse.
Na sequência, o presidente reforçou que “a verdade nua e crua é que a violência só tem um lado. Quem precisa mudar de comportamento não são as mulheres, são os homens”.
Segundo Lula, o combate à violência contra a mulher passará a ser uma das principais bandeiras de sua atuação política. “Aqui no Brasil nós vamos ter que criar um movimento. Esse é um problema essencialmente educacional, e vamos ter que aprender isso na escola, educando nossos filhos”, ressaltou.
Estatísticas alarmantes sobre feminicídio
Nas últimas semanas, o tema tem sido recorrente nos discursos do presidente. De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, cerca de 3,7 milhões de mulheres sofreram ao menos um episódio de violência doméstica nos últimos 12 meses.
Os dados também apontam que, em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídio, o que representa uma média de cerca de quatro mortes por dia em razão do gênero. Em 2025, o país já contabiliza mais de 1.180 casos de feminicídio, além de quase 3 mil atendimentos diários pelo canal Ligue 180, segundo informações do Ministério das Mulheres.