Deborah Secco volta a viver Surfistinha em filme que deve chegar aos cinemas em 2026
Redação
Publicado em 9 de dezembro de 2025 às 20:09 | Atualizado há 6 meses
Atriz se tornou ícone pop quando vivera garota de programa Raquel Pacheco
Alessandra Monterastelli
(Folhapress) – Deborah Secco corre numa esteira com uma regata bem apertada, estampada com boquinhas coloridas. Sua pele brilha úmida no decote generoso. Aos 46 anos, ela volta a encarnar Raquel, a prostituta Bruna Surfistinha, 14 anos depois do filme que deixou as salas de cinema do país em polvorosa e catapultou a carreira da atriz.
As cenas de “Bruna Surfistinha 2” já estão sendo gravadas em São Paulo. Na continuação, Raquel, que no final do primeiro filme para de se prostituir, passa por uma reviravolta em sua vida e considera voltar para o trabalho sexual. Mas o tempo passou também para ela.
“Bruna Surfistinha” se baseou na história real de Raquel Pacheco, uma garota de classe média alta que escolheu sair de casa para se prostituir. O filme se tornou um marco cultural ao retratar a prostituição no Brasil pela ótica da trabalhadora sexual, com cenas de nudez e sexo protagonizadas por uma atriz da Globo. As frases impactantes de Bruna, como “hoje eu não vou dar, vou distribuir”, fizeram da personagem um símbolo pop.
Filmagens
Vestindo um roupão branco e bebendo Coca-Cola Zero no set de “Bruna Surfistinha 2”, Deborah Secco conta que decidiu fazer a continuação do filme quando foi ao baile da revista Vogue, em 2023, como Bruna. Ela vestiu um biquíni azul claro, com um short curto e um salto alto da mesma cor, e segurava uma prancha de surfe. Fãs passaram horas na fila para garantir uma foto com a atriz. “Me senti como o Mickey na Disney. Percebi que a personagem era um ícone e ficou maior do que eu imaginava”, lembra a artista.
A história de “Bruna Surfistinha 2” é totalmente fictícia, ainda que tenha um ou outro acontecimento inspirado na vida real de Raquel Pacheco, a Bruna da vida real, que liga para Secco de vez em quando para contar algum causo. No primeiro longa, Raquel, antes de ser Bruna, tem uma relação distante com os pais e é motivo de chacota na escola.
O filme não saiu ileso de críticas. Algumas pessoas apontaram um excesso de cenas sensuais para atiçar a curiosidade do público, sem se aprofundar nas motivações de Raquel. “Eu nunca fiz da Raquel uma heroína. Ela escolheu se colocar nesse lugar de sofrimento e dor mesmo. Não fizemos cenas de sexo para ser erótico. Precisávamos mostrar o desconforto dessa menina que atendia oito caras por dia”, comenta Secco, sobre as avaliações.
Agora, nas filmagens de “Bruna Surfistinha 2”, uma coordenadora de intimidade acompanha as cenas de sexo. A presença desse profissional nos sets aumentou após o MeToo, movimento de mulheres que expôs os assédios sexuais de atrizes nos bastidores da indústria cinematográfica americana. Secco, porém, afirma que não sentiu desconforto durante as passagens picantes do primeiro filme — para ela, todas tinham propósito narrativo.
“Tinha medo de virar atriz estereotipada”, diz Secco

“Eu tinha medo de virar uma atriz estereotipada, que minha carreira ficasse marcada para sempre”, lembra Deborah Secco. Na época, ela não escapou de comentários machistas e, por vezes, depreciativos. Mas, hoje, ela diz estar blindada. “Me sinto mais forte, como se tivesse criado uma capa protetora para as dificuldades que a vida pública oferece.”
Ao incorporar Raquel, a atriz encontrou semelhanças com a mulher. “Cresci não sendo a garota mais popular da escola, como a Bruna. Eu era a menina feia da família. Quando a minha carreira me levou para esse lugar de mulher bonita, que eu nunca me achei, foi ótimo. Você entra em uma luta para provar que também é boa no que faz, e não só bonita.”
Playboy
Secco já tinha se tornado um sex symbol anos antes de “Bruna Surfistinha”, quando, em 1999, aos 20 anos, posou nua para a Playboy. Antes disso, ela tinha feito papéis mais masculinizados, como a moleca Carol de “Confissões de Adolescente” ou a Bárbara de “Vira Lata”. Em 2002, a atriz fez novas fotos para a revista masculina.
Os ensaios asseguraram estabilidade financeira para a sua família, diz Secco. “Comprei três apartamentos, um para mim, um para minha irmã e outro para meu irmão. Não era fácil, confortável. Diferente do filme, era eu, a Deborah, que estava exposta ali.”
O dinheiro foi uma segurança para alguém que queria apostar tudo na carreira de atriz. “Cresci assistindo a ‘Uma Linda Mulher’. O meu sonho era ser aquela garota que carrega sacolas com o dinheiro do ‘boy’. Mas, em algum momento, entendi que eu devia sonhar em ser uma mulher independente, em pagar minhas próprias sacolas, em ter um trabalho que me realizasse e que eu não fosse objetificada ou explorada”, lembra.
Foto: Instagram/ Deborah Secco