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‘O Iluminado’ volta à tela grande em versão remasterizada em 4K

Redação

Publicado em 10 de dezembro de 2025 às 20:05 | Atualizado há 6 meses

Jack Nicholson aterroriza cinéfilos ao interpretar escritor alcoólatra e violento
Jack Nicholson aterroriza cinéfilos ao interpretar escritor alcoólatra e violento

Marcus Vinícius Beck

Lançado há 45 anos, “O Iluminado” nos aterroriza até hoje. Isso não é bom, isso é muito bom. O filme será exibido em 4K a partir desta quinta-feira (11/12) no Cine Cultura, às 19h20.

Talvez seja a obra mais conhecida de Stanley Kubrick, com seus cortes bruscos, suas imagens chocantes. É algo menos convencional e, de certa forma, sem aquele aspecto mordaz encontrado no restante da filmografia do cineasta. Estamos diante de um clássico.

Ainda assim, nem todos foram só elogios. Jean-Luc Godard, um dos grandes cineastas, desprezava a arte de Kubrick. Por mais inteligente que fosse, dizia Godard, não deixava de apontar para o prazer sensorial da imagem — imperdoável aos olhos maoístas do diretor.

Em “O Iluminado”, Kubrick se baseia no romance homônimo de Stephen King. Alcoólatra e violento, o ex-professor Jack Torrance (Jack Nicholson) sonha em ser escritor. À procura da tranquilidade criativa, Torrance torna-se zelador do Hotel Overlook, no Colorado (EUA).

O menino, traumatizado, desce ao subsolo da psique. Também pudera: bêbado e violento, o pai, frustrado por sua incapacidade literária, agarrou-o certa vez até deslocar-lhe o ombro. Após esse episódio, Danny tem visões que fazem o hotel tremer, sobretudo o quarto 237.

Arquétipos

Depois da agressão ao filho, Jack jurou não mais beber. O comportamento de Danny e as atividades de seu pai, segundo a crítica Pauline Kael, parecem explicáveis. A família, para seguir com Kael, seria seus arquétipos: a fonte e a vítima dos monstros que a flagelam.

Aqui está “O Iluminado”: terror psicológico. A trama chega a um ponto revelador quando o cozinheiro Halloran (Scatman Crothers), que também “brilha”, fala ao menino sobre eventos passados cujas marcas são perigosas àqueles com o “dom” psíquico. É o caso de Danny.

Embora alertado sobre a “síndrome da cabana”, Jack sente uma estranha e feliz sensação de déjà vu. A família se tranca durante o inverno, isolada pela neve no que é, lembremos, o Hotel Overlook. Tudo se revela apavorante demais. Sinistro, isso aqui.

Temos a impressão de que esses demônios horrorosos são encarnações alucinatórias dos impulsos assassinos de Jack contra a esposa e o filho. Danny, por sua vez, se ilumina: é quando fala com uma voz gutural. Balança o dedo e tem um amigo imaginário, Tony.

Que terror classudo, esse. E, mesmo assim, recebeu críticas negativas ao chegar às salas. No New York Times, a prestigiada Janet Maslin reconheceu os méritos de Jack Nicholson, mas advertiu para a história sobrenatural que, segundo ela, não tem lógica nem razão.

“Mesmo imagens chocantes e horripilantes do filme parecem exageradas e talvez até mesmo irrelevantes”, pontuou Maslin, cuja opinião se coaduna com o que escreveu Pauline Kael. A influente crítica, em certa altura de seu texto, identifica um filme sem espontaneidade.

Na New Yorker, Pauline Kael observa que somos estimulados a esperar por algo. De repente, detecta a autora, nos decepcionamos: estamos perplexos. Mais ou menos o que fizera Michelangelo Antonioni em seu indigesto “O Passageiro”, de 1975. Assistamos.

Foto: Warner Bros. Pictures/ Divulgação


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