Política

Justiça Federal suspende assessores e carros oficiais de Bolsonaro após prisão

Léo Carvalho

Publicado em 11 de dezembro de 2025 às 12:56 | Atualizado há 6 meses

Ex-presidente Bolsonaro chega ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília | Foto: Marcelo Camargo
Ex-presidente Bolsonaro chega ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília | Foto: Marcelo Camargo

A Justiça Federal de Minas Gerais determinou, na tarde da última quarta-feira (10), a suspensão de assessores e carros oficiais concedidos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão é liminar (urgente e provisória) e cabe recurso.

A decisão judicial atendeu a pedido do vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ele alegou na ação que, só no primeiro semestre deste ano, os gastos com a equipe do ex-presidente ultrapassaram R$ 521 mil. Desde 2023, “dispêndios totais já ultrapassariam R$ 4 milhões”, disse Rousseff.

Dados oficiais da Presidência da República mostram que Jair Bolsonaro custou R$ 994.592,11 ao órgão de janeiro a novembro deste ano. Só de gratificação para servidores comissionados foram R$ 657.368,21. Com passagens aéreas, os gastos somaram R$ 243.284,03. Mesmo preso, Bolsonaro mantinha o benefício pago pelo governo. Por ser ex-presidente, ele tem direito a oito servidores. São seis assessores para segurança e apoio pessoal e dois carros oficiais com um motorista cada.

O vereador pediu que benefício seja suspenso enquanto Bolsonaro permanecer preso. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes na trama golpista. Ele está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde o mês passado.

Com prisão, o benefício “perde a sua razão de ser”, diz a decisão judicial. O juiz federal substituto Pedro Pereira Pimenta, da 8ª Vara Federal Civil, justificou que a estrutura é disponibilizada “para um contexto de circulação em liberdade no espaço público, não para a realidade de custódia em regime fechado”. Também destacou que o Estado já disponibiliza aparatos que garantem a segurança de Bolsonaro na prisão.

“Lula também perdeu benefício quando estava preso. Em 2018, a Justiça também deu uma liminar suspendendo os assessores de Lula, mas a decisão foi derrubada dias depois”, lembrou Pimenta na decisão. Além disso, o juiz federal substituto Pedro Pereira Pimenta acrescentou: “Também os veículos oficiais previstos no art. 1º, II, da Lei 7.474/1986 constituem instrumento de locomoção do ex-presidente da República, em sua própria agenda de compromissos em vida civil, e não benefício autônomo colocado à disposição de servidores ou terceiros.”

A reportagem procurou a defesa de Bolsonaro e aguarda manifestação. (Com informações de Fernanda Bassi/Folhapress)


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