Cotidiano

72% exageram na ceia, mas 61% dos brasileiros já buscam versões mais leves no Natal

Léo Carvalho

Publicado em 23 de dezembro de 2025 às 10:07 | Atualizado há 5 meses

Pesquisa realizada em 2024 pela ABRAS aponta que 72% da população afirma comer mais do que o habitual na data | Foto: Freepik
Pesquisa realizada em 2024 pela ABRAS aponta que 72% da população afirma comer mais do que o habitual na data | Foto: Freepik

Com a chegada do fim do ano, a mesa farta das festas natalinas volta ao centro das atenções e também das preocupações. A ceia de Natal continua sendo, para muitos brasileiros, o momento mais calórico do ano. Pesquisa realizada em 2024 pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) aponta que 72% da população afirma comer mais do que o habitual na data. Já dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) indicam que, após as festas, adultos ganham em média de um a dois quilos, resultado direto de refeições ricas em gordura, açúcar e sal.

Apesar desse cenário, começa a ganhar força um comportamento diferente. Parte dos consumidores tenta conciliar tradição e saúde, sem abrir mão do significado afetivo da ceia. O relatório Food Trends 2025, do International Food Information Council (IFIC), mostra que 58% das pessoas buscam reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados durante o período festivo. No Brasil, levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), feito em 2024, revela que 61% dos consumidores já adaptam receitas natalinas para versões mais leves, com maior presença de ingredientes naturais, hortaliças, proteínas magras e sobremesas com menos açúcar.

Para o nutricionista Phelipe Auerswald, coordenador do curso de nutrição da Estácio FAPAN, a principal estratégia é o planejamento. Segundo ele, a ceia pode continuar sendo um momento de celebração sem perder o equilíbrio. A inclusão de frutas frescas, saladas variadas, castanhas e grãos integrais contribui para melhorar o valor nutricional do prato. Ele chama atenção para um hábito comum nas festas, a mesa permanecer montada por muitas horas. Quando a comida fica disponível o tempo inteiro, o consumo acaba sendo maior do que o planejado.

Auerswald destaca ainda que versões mais leves de pratos tradicionais não comprometem o sabor. Preparações com peru, tender e peixes podem reduzir o uso de gordura e sal, substituindo-os por ervas aromáticas e especiarias. Além de realçar o aroma e o gosto dos alimentos, esses temperos naturais auxiliam a digestão, algo importante em noites marcadas por refeições mais fartas.

Tome água para não passar vergonha

Outro ponto de atenção é o consumo de bebidas alcoólicas. Dados do Ministério da Saúde (MS) indicam que a ingestão de álcool pode triplicar nas festas de fim de ano. A recomendação é intercalar bebidas alcoólicas com água, evitar misturas muito doces e optar por opções com menor teor alcoólico, medidas que reduzem o impacto no organismo.

A alimentação não é o único fator que influencia o bem-estar durante as festas. A prática de atividades físicas leves pode ajudar o corpo a lidar melhor com os excessos da ceia. Para Marcelo Carneiro, mestre e docente em educação física da Estácio Goiás, pequenos movimentos antes ou depois das refeições já fazem diferença. Caminhadas curtas, alongamentos ou exercícios leves ajudam o metabolismo a funcionar melhor e reduzem a sensação de peso no estômago.

Também é hora de exercitar

Ele lembra que o fim do ano costuma trazer longos períodos sentado, seja em viagens, no sofá ou em encontros familiares prolongados. Ainda assim, levantar com frequência, alongar-se e se movimentar ao longo do dia melhora a circulação e a disposição.

Marcelo também vê nas festas uma oportunidade de envolver toda a família em hábitos mais ativos. Caminhadas coletivas antes da ceia, brincadeiras com as crianças ou uma volta pelo bairro para observar a decoração natalina ajudam a criar um ambiente mais saudável e afetivo. Para ele, cuidar da saúde em conjunto reforça o sentido de união que marca o período.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia