Aumento de idosos morando sozinhos muda perfil do mercado imobiliário
Redação
Publicado em 23 de dezembro de 2025 às 16:14 | Atualizado há 5 meses
Apartamentos compactos ganham espaço entre pessoas acima dos 60 anos que buscam autonomia e praticidade | Foto: Divulgação
O número de pessoas morando sozinhas no Brasil cresce de forma acelerada e já impacta o mercado imobiliário. Com o avanço da longevidade e o aumento da população acima dos 50 anos vivendo sozinha, o setor tem se adaptado para atender um público que valoriza independência, praticidade e boa localização.
A preferência desse novo perfil de morador é por imóveis menores, mas com mais conforto, experiência e autonomia. A casa passa a ser vista como um espaço de bem-estar individual, e não apenas como um núcleo familiar tradicional.
Dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que quase 19 por cento dos domicílios brasileiros têm apenas um morador.
Em 2010, esse percentual era de 12,2 por cento. O crescimento reflete mudanças nas estruturas familiares e também uma tendência social cada vez mais presente entre pessoas mais velhas.
Segundo o IBGE, 28,7 por cento das moradias unipessoais são ocupadas por pessoas com 60 anos ou mais. O número representa cerca de 5,6 milhões de idosos vivendo sozinhos no país.
Envelhecimento acelera mudanças no modo de morar
Em 1980, os idosos representavam apenas 4 por cento da população brasileira. Atualmente, esse grupo corresponde a 10,9 por cento dos habitantes.
A projeção é que, até 2030, o número de pessoas mais velhas ultrapasse o de jovens no Brasil. A mudança no formato da pirâmide etária tem reflexos diretos em políticas públicas, hábitos de consumo e no mercado imobiliário.
Um estudo do QuintoAndar, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, confirma a tendência de crescimento das moradias unipessoais em todas as faixas etárias.
Entre 2012 e 2021, o número de pessoas com mais de 65 anos morando sozinhas cresceu 49,9 por cento. Já entre pessoas de 50 a 64 anos, o aumento foi de 45,3 por cento no mesmo período.
O levantamento aponta que o crescimento mais acentuado ocorre entre os mais velhos, refletindo um comportamento marcado por maior autonomia, independência e busca por qualidade de vida.
Mercado imobiliário acompanha novo perfil
Essa mudança demográfica se reflete diretamente no mercado imobiliário. Segundo dados da plataforma, as principais motivações para morar em apartamentos compactos são a busca por independência, a proximidade com o trabalho e a facilidade de acesso ao transporte público.
A praticidade de imóveis mobiliados também aparece como um fator decisivo. Esses elementos se repetem entre jovens profissionais e pessoas mais velhas que optam por morar sozinhas.
Para o diretor-geral da Terral Incorporadora, Marcelo Borges, o fenômeno representa uma transformação na relação das pessoas com o espaço onde vivem.
Ele explica que o público acima dos 50 anos está mais ativo, conectado e aberto a novos ciclos profissionais e afetivos. Muitos escolhem morar sozinhos sem abrir mão de conforto, segurança e localização estratégica.
O movimento é observado também fora do Brasil. Na Noruega, mais de 45 por cento dos domicílios são ocupados por apenas uma pessoa.
No Brasil, grandes centros seguem a mesma tendência, como o Rio de Janeiro, onde 23,4 por cento das casas têm apenas um morador. Rio Grande do Sul e Espírito Santo também apresentam percentuais elevados.
O tamanho médio das famílias brasileiras caiu de 4,2 pessoas na década de 1990 para 2,9 em 2020. A mudança reflete novas configurações familiares e a opção por viver sozinho próximo a centros urbanos.
Com o avanço desse perfil, incorporadoras vêm revisando conceitos e priorizando projetos que ofereçam praticidade, segurança e funcionalidade.
Segundo Marcelo Borges, o foco não está apenas na metragem, mas em imóveis bem planejados, com infraestrutura completa e alinhados a um estilo de vida mais autônomo.
Em Goiás, a tendência também se confirma. O estado é o quarto do país com maior proporção de pessoas morando sozinhas, com 20,2 por cento dos domicílios, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.