Mãe denuncia discriminação contra aluno com autismo e TDAH em colégio militar de Goiânia
Redação Online
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 20:59 | Atualizado há 7 meses
A mulher relatou que a escola desconsiderou os laudos médicos que comprovam o diagnóstico do filho
Uma mãe denunciou que o filho de 15 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), sofreu discriminação e assédio moral no Colégio Estadual da Polícia Militar Naly Deusdará, em Goiânia. Segundo ela, o adolescente teve a matrícula para 2026 bloqueada após a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
De acordo com o relato, mesmo após ser sorteado para estudar no Colégio da Polícia Militar Hugo de Carvalho Ramos, o estudante segue fora da escola. A mãe afirma que o PAD instaurado pela unidade de origem impede a transferência, o que mantém o jovem sem acesso às aulas.
A mulher relatou que a escola desconsiderou os laudos médicos que comprovam o diagnóstico do filho e a necessidade de acompanhamento especializado. Segundo ela, o documento só chegou à Secretaria de Educação após meses, quando conseguiu levá-lo pessoalmente depois de uma reunião com uma psicóloga da pasta.
Ainda conforme a denúncia, o adolescente foi alvo de humilhações dentro da escola, com xingamentos como “louco” e “doido”, além de punições consideradas abusivas. Ele chegou a ser isolado em sala de aula e obrigado a fazer as refeições sozinho, sem acesso ao convívio com outros alunos.
O Ministério Público de Goiás apurou o caso e constatou que o colégio não possui equipe multiprofissional nem elaborou um Plano Educacional Individualizado (PEI), obrigatório em situações de inclusão. A própria instituição admitiu não ter preparo técnico para atender alunos com necessidades educacionais especiais.
Em resposta ao MP, a escola alegou seguir normas militares. O Ministério Público, no entanto, reforçou que esse argumento não se sobrepõe à legislação brasileira de inclusão, que garante atendimento adequado a estudantes com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento.
Em dezembro, o Conselho Estadual de Educação de Goiás determinou a revogação do PAD e o imediato atendimento ao estudante. Segundo a mãe, a decisão não foi cumprida, e as instituições insistem na manutenção do processo administrativo.
A mulher afirma que não pretende mais matricular o filho no Colégio Naly Deusdará, por considerar o ambiente insustentável. Ela busca garantir a vaga do adolescente no Colégio Hugo de Carvalho Ramos, onde acredita que ele poderá estudar com dignidade e respeito.
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