Entrada de Caiado no PSD muda o tabuleiro eleitoral da direita para 2026
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 15:29 | Atualizado há 6 meses
Filiação de Caiado ao PSD muda o tabuleiro político e impacta alianças no campo da direita | Foto: Reprodução
Nos cálculos políticos de Ronaldo Caiado (PSD), a garantia de uma legenda sempre ocupou lugar central. O governador de Goiás avalia que não há projeto presidencial viável sem um partido assegurado na urna. Essa preocupação começou a perder força após uma sinalização direta do presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, que, segundo relatos de bastidores, deu a Caiado a segurança necessária para avançar em seu plano político.
A movimentação ocorre em um ambiente de cautela entre os principais partidos da direita. As grandes siglas desse campo ideológico evitam, por ora, lançar oficialmente uma candidatura ao Palácio do Planalto. A avaliação predominante é de que um apoio explícito a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia gerar perdas eleitorais relevantes, especialmente no Nordeste, região onde o lulismo mantém forte capacidade de mobilização.
Diante desse cenário, a estratégia adotada tem sido manter distância do embate direto no primeiro turno. Essa postura, no entanto, cria um efeito colateral importante. Pela legislação eleitoral, o tempo de rádio e televisão dos partidos que optam por não lançar candidato à Presidência é redistribuído entre aqueles que entram na disputa, abrindo espaço para candidaturas alternativas ganharem visibilidade nacional.
Na prática, um cenário em que PSD, somado a legendas médias como Podemos e Solidariedade, fique fora da corrida presidencial garantiria a Caiado um espaço expressivo na propaganda eleitoral. Esse tempo funcionaria como uma vitrine relevante para apresentar seu nome e suas propostas ao eleitorado em todo o país.
A entrada de Caiado nesse tabuleiro interfere diretamente nos planos da família Bolsonaro. A expectativa do grupo era atrair, de forma quase automática, os principais nomes da direita, evitando a fragmentação de candidaturas já no primeiro turno. O movimento do governador goiano rompe essa lógica e impõe uma disputa mais aberta dentro do mesmo campo político.
Dentro do PSD, Caiado também larga em posição privilegiada. Entre os nomes citados como possíveis presidenciáveis da legenda, ele é o único que já estruturou uma equipe de comunicação e mantém uma base mínima de pré-campanha em funcionamento. Outros governadores, como Ratinho Júnior, seguem no radar do partido, mas ainda sem o mesmo nível de organização antecipada.
Com a legenda assegurada, Caiado deixa de ser apenas uma hipótese em discussões internas e passa a operar, de forma concreta, como uma candidatura em construção. Esse avanço, porém, produz reflexos diretos tanto no cenário local quanto no nacional.
Relação entre Caiado e Vanderlan Cardoso
Em Goiás, uma das principais questões diz respeito à convivência política entre o governador Ronaldo Caiado e o senador Vanderlan Cardoso, presidente estadual do PSD. Até aqui, Vanderlan não demonstrava alinhamento com a base do governo estadual. A partir do momento em que ambos passam a integrar formalmente a mesma legenda, essa relação se torna inevitável, ainda que sem garantias de convergência política.
A presidência estadual do PSD confere a Vanderlan poder sobre decisões estratégicas, como definição de alianças, montagem de chapas proporcionais e distribuição de recursos partidários. Esse fator adiciona complexidade ao processo de consolidação da liderança de Caiado dentro do partido em Goiás.
Contradições do PSD no plano nacional
No cenário nacional, a sigla convive com uma contradição ainda mais profunda. Uma parcela expressiva da legenda integra formalmente a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O PSD ocupa ministérios estratégicos no governo federal, como Agricultura, comandado por Carlos Fávaro, Minas e Energia, sob Alexandre Silveira, e Pesca, com André de Paula, além de contar com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, entre seus principais quadros.
Diante desse contexto, a grande questão passa a ser se o PSD terá unidade política suficiente para sustentar uma candidatura própria à Presidência da República em oposição direta ao atual governo. A resposta a esse dilema tende a influenciar não apenas o futuro do projeto nacional de Ronaldo Caiado, mas também o equilíbrio interno do partido nos estados.
Paulinho da Força critica filiação de Caiado ao PSD
O presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), reagiu com surpresa à filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD. As conversas entre as partes ainda estavam em curso depois que Caiado sinalizou a possibilidade de trocar de legenda, o que tornou a decisão inesperada para a cúpula do partido.
A mudança teve como pano de fundo a tentativa de viabilizar uma candidatura presidencial. No Partido Progressistas, Caiado enfrentou resistência interna e acabou buscando abrigo no partido, passando a integrar oficialmente o grupo de pré-candidatos da sigla à Presidência da República em 2026.
Paulinho da Força criticou publicamente o movimento e afirmou que o governador teria sido levado por uma “conversa fiada” de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Para o dirigente do Solidariedade, a filiação representou um recuo no processo de negociação, já que ele esperava a continuidade do diálogo antes de qualquer definição definitiva.