Delegada aposentada presa por furto em Goiânia nega doença mental e diz que agiu por fome
Redação
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 17:58 | Atualizado há 4 meses
Ela sustentou que a conduta se enquadra no chamado furto famélico
A delegada aposentada Adriana de Carvalho Fernandes, 42 anos, presa flagrante em 29 de janeiro, por furto em um supermercado dentro do condomínio Alphaville Araguaia, em Goiânia, apresentou sua versão dos fatos em entrevista ao portal Mais Goiás. Ela negou qualquer transtorno mental, contestou informações divulgadas por entidade sindical e afirmou que o ato ocorreu em meio a um cenário de fome extrema.
Adriana declarou que enfrentou mais de dez dias sem comida em casa e disse que também precisava alimentar cinco animais de estimação. Segundo ela, o furto teve motivação no desespero diante da falta de recursos básicos. A delegada aposentada alegou que conhecia o risco da prisão, mas decidiu se expor para sair da situação que descreveu como insustentável.
Ela sustentou que a conduta se enquadra no chamado furto famélico, figura jurídica associada ao estado de necessidade. Adriana afirmou que a escolha representou um “pedido de socorro”. Após audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade mediante pagamento de fiança.
A delegada criticou o Sindicato dos Delegados de Polícia de Goiás (Sindepol), que atribuiu o episódio a transtornos mentais agravados pela morte da filha. Adriana declarou que não autorizou a divulgação dessas informações e afirmou que sua saúde mental “está normal”.
Adriana apontou a mãe, duas irmãs e o ex-marido como responsáveis por perseguições que, segundo ela, se arrastam há anos. Relatou conflitos familiares, vigilância constante e interferências em sua rotina pessoal e profissional. A delegada também mencionou episódios que envolveram abordagens policiais e atendimentos médicos que considerou indevidos.
Ela afirmou que passou por hotéis em Goiânia após se afastar da família e descreveu situações que interpretou como monitoramento. Segundo o relato, essas ocorrências teriam provocado desgaste emocional nela e no filho adolescente.
Já no Alphaville Araguaia, Adriana disse que teve cadastro de moradora removido, sofreu corte de água e energia e viu o dinheiro acabar. Ela afirmou que o filho decidiu morar com o pai nesse período. A delegada descreveu dias no escuro e sem abastecimento, ao lado dos animais.
A aposentadoria ocorreu em 2025 após avaliação de junta médica do Estado. Adriana declarou que o afastamento visou evitar conflitos internos na corporação. Ela relatou decepção com colegas da Polícia Civil e disse que tentou pedir exoneração em momento anterior.
A delegada afirmou tristeza com o distanciamento do filho, de 16 anos. Disse que ele recebeu influência de terceiros e questionou a condução de decisões sobre a vida do adolescente.
Após deixar a prisão, Adriana seguiu para a casa do atual companheiro, com quem retomou o relacionamento. A saída definitiva do Alphaville Araguaia já ocorreu, segundo ela.
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