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Lari Mundim e Anya Aquareluda lançam ‘A Cadeira’ na Qui Qui Qui

Redação

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 20:33 | Atualizado há 4 meses

Aquarelas foram desenvolvidas pela artista visual artista visual Anya Aquareluda
Aquarelas foram desenvolvidas pela artista visual artista visual Anya Aquareluda

Marcus Vinícius Beck

O poeta Manoel de Barros inventou um termo que serve para descrever a narrativa visual “A Cadeira”, lançada neste sábado (6/2) pela escritora Lari Mundim e pela artista visual Anya Aquareluda durante a feira Qui Qui Qui, no Centro Cultural Octo Marques, em Goiânia.

Para ele, “é preciso transver o mundo”. “O olho vê, a lembrança revê, a imaginação transvê”, afirmava o cuiabano, autor de estilo simples e, ao mesmo tempo, inovador. “Expressão reta não sonha. Não use o traço acostumado.” Nem se ache nos trilhos simples da mesmice, ok?

Recado anotado, resta pularmos o muro da gramática normativa. Ou, para ficarmos em Manoel, intuir que a arte não tem pensa. Eu transvejo, tu transvens, nós transvemos. Um delírio verbal leva este repórter à 2ª página de “A Cadeira”, espera na qual tudo se move.

Trata-se de obra bilíngue (português-inglês). Duas premissas inspiraram o roteiro escrito por Lari e ilustrado por Anya. A primeira, segundo as autoras, motivaria leitores e leitoras a acompanharem a protagonista em sua jornada íntima — um convite à inação, digamos. Já a outra, tão simples quanto filosófica, epiloga: “um corpo em movimento está em busca de si.”

“Quando a narrativa ia sendo composta na minha cabeça, eu só pensava na concretude que a linguagem criada por Anya seria capaz de trazer para aquelas ideias”, diz Lari, cuja parceria com Anya dura cerca de 10 anos entre feiras de publicações independentes e agora um livro.

Publicada pela negalilu, “A Cadeira” dispõe de pelo menos três chaves para leitura. Uma delas, talvez a mais evidente, remete à cultura iogue. Ao praticar utkatasana, a personagem principal arquiteta um percurso fantástico — um encontro consigo e com animais de poder.

Ver a partir da fantasia: título foi lançado por Lari Mundim e Anya Aquareluda

Essa constatação, aliás, indica a pista para a 2ª chave interpretativa, conforme Lari. “Como o livro dialoga com maneiras diversas e dissidentes de existir, cada leitor ou leitora vai se apropriar da narrativa a partir de suas próprias demandas”, acredita a escritora goiana.

Diante do leitor, abre-se ainda uma 3ª forma de leitura. Mas, para identificá-la, ele deve ter em mente a fauna cerratense, os seres da floresta, os anfíbios oceânicos e até mesmo quem habita o espaço sideral. Tudo isso torna o livro atrativo para o público infantojuvenil.

A onça, a baleia, a cobra, a borboleta, o lobo-guará figuram em meio às criaturas que fazem a jornada ser expansiva, condensada em um único ser não humano revelado no fim do livro. Era Dia de São Miguel Arcanjo, numa copaíba adulta, quando essa história foi contada.

Anya fala sobre o processo criativo: “Além da parte que é técnica, exigida da pintura com aquarela, a publicação também me testou e exigiu no campo intuitivo.” A artista brasiliense acessou o repertório desenvolvido em sua carreira, bem como a história que não se mostra.

Na feira Qui Qui Qui, Lari Mundim conversa com a filósofa clínica Carol Prestes. O evento conta com 22 expositoras e expositores entre editoras, coletivos, ateliês, artistas gráficos e livraria de Goiânia e do Distrito Federal. A iniciativa movimenta Goiânia neste sábado (6/2).

LANÇAMENTO DE ‘A CADEIRA’

Quando: sábado (7/2)

Onde: Centro Cultural Octo Marques

Horário: a partir das 17h

Endereço: R. 4, 515 – St. Central, Goiânia

Fotos: Divulgação


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