Internacional

Documentos da “Biblioteca Epstein” mencionam João de Deus em e-mail

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 16:49 | Atualizado há 4 meses

Biblioteca Epstein traz e-mail que relaciona João de Deus à morte de ativista na Espanha | Foto: Daniel Marenco
Biblioteca Epstein traz e-mail que relaciona João de Deus à morte de ativista na Espanha | Foto: Daniel Marenco

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na chamada “Biblioteca Epstein” mencionam o médium brasileiro João de Deus, conhecido internacionalmente por suas práticas espirituais e pelas denúncias de abuso sexual. Entre os arquivos, há um e-mail datado de dezembro de 2020, em que o nome do brasileiro aparece em referência a um caso específico. Na tradução do texto, a mensagem diz: “Mulher que acusou o líder de culto, João de Deus, se mata em sua casa na Espanha.”

O e-mail foi enviado entre duas pessoas não identificadas e faz referência à ativista Sabrina Bitencourt, que morreu em Barcelona. Em 2019, Bitencourt denunciou João de Deus, alegando que ele mantinha mulheres como escravas sexuais, obrigadas a engravidar para que os bebês fossem vendidos para estrangeiros por até US$ 50 mil.

O conteúdo do e-mail ainda sugere um paralelo com as práticas do financista Jeffrey Epstein no Rancho do Zorro, no Novo México. No texto, há a afirmação de que Epstein teria oferecido dinheiro para que mulheres dessem à luz bebês destinados ao mercado negro. “Falou sobre isso estar acontecendo no Zorro Ranch, sendo traduzido como Rancho do Zorro. Ela disse oficialmente que Epstein lhe ofereceu dinheiro para fazer isso. Dar à luz bebês para uso no mercado negro. Obrigado por investigar isso.” A mensagem inclui também um link para reportagem do jornal britânico The Sun sobre a morte da ativista.

O site que reúne os arquivos, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, atende aos requisitos da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein e será atualizado sempre que novos documentos forem identificados para divulgação. A plataforma traz um aviso de que alguns conteúdos incluem descrições de agressão sexual e, portanto, podem não ser adequados para todos os leitores.

É importante ressaltar que nem todos os nomes presentes nos arquivos indicam envolvimento em práticas criminosas. A lista inclui qualquer pessoa que tenha mantido algum tipo de relação, direta ou indireta, com Jeffrey Epstein, e não representa, por si só, a acusação ou comprovação de crimes.


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