Após desfile na Sapucaí, Temer chama homenagem a Lula de “bajulação”
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 16:31 | Atualizado há 4 meses
Ex-presidente comentou desfile em homenagem a Lula | Foto: Reprodução/TV Globo
A repercussão do desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou à Marquês de Sapucaí um enredo dedicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou reação do ex-presidente Michel Temer (MDB).
Após ser retratado em uma das encenações da escola, Temer afirmou que o Carnaval é tradicionalmente marcado pela sátira política e pela liberdade de expressão artística.
Durante a apresentação do último domingo (15), uma das cenas fez referência ao processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), ocorrido em 2016. A comissão de frente encenou o momento em que Temer, então vice-presidente, assume o comando do país.
Na dramatização, um integrante caracterizado como o emedebista retirava simbolicamente a faixa presidencial da petista, episódio que setores da esquerda classificam como ruptura institucional e que foi incorporado à narrativa construída pela agremiação.
Em nota divulgada por sua assessoria, Temer declarou que não se deve exigir precisão histórica de um desfile carnavalesco, ressaltando que a crítica social integra a essência da festa popular. Segundo ele, manifestações artísticas desse tipo fazem parte da cultura política brasileira e devem ser compreendidas dentro do contexto do espetáculo.
Ex-presidente contesta homenagem e critica o governo
Ao comentar a homenagem dedicada a Lula (PT), o ex-presidente classificou o tributo como “bajulação”. Na mesma manifestação, fez críticas à condução econômica do atual governo, mencionando o que chamou de “irresponsabilidade fiscal”, além de apontar juros elevados e crescimento do endividamento público como fatores de preocupação.
Temer (MDB) também recordou que, no Carnaval de 2018, foi representado como um vampiro pela Paraíso do Tuiuti, em meio a críticas às reformas trabalhista e da previdência aprovadas durante sua gestão.
Na avaliação do ex-presidente, o ponto central do debate não está na liberdade artística das escolas, mas nos rumos da política econômica adotada atualmente. O desfile da Acadêmicos de Niterói percorreu a trajetória de Lula (PT), desde a infância no Nordeste até os mandatos à frente da Presidência da República.
Ao longo da apresentação, a escola incluiu referências políticas, como figurinos com estrelas vermelhas e o jingle associado ao petista, além de uma representação satírica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), reforçando o tom político do enredo.