Prefeitura de Goiânia avalia abrir rua dentro do Parque Flamboyant para melhorar trânsito
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 10:30 | Atualizado há 3 meses
Órgãos ambientais e de planejamento recomendam regularização e alargamento da Rua 56-A como alternativa | Foto: Wildes Barbosa
A abertura de uma nova rua dentro do Parque Flamboyant, no Jardim Goiás, está em análise pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) de Goiânia. A proposta pretende criar um acesso alternativo para motoristas que trafegam no sentido oeste-leste e desejam entrar no interior do bairro, melhorando a fluidez do trânsito na região.
O projeto elaborado pela Seinfra prevê a implantação da via em uma das extremidades do parque, nas proximidades do muro de uma propriedade privada e sobre o trecho inicial da canalização do córrego Sumidouro, curso d’água que já acumula impactos urbanos ao longo de cerca de 1,5 quilômetro. A ideia é conectar as ruas 46 e 56, formando um novo eixo de retorno para aliviar o tráfego local.
Atualmente, quem acessa o Jardim Goiás pela Rua 77, que contorna o Estádio Serra Dourada, encontra duas alternativas. A primeira é utilizar a Rua 56-A, uma viela estreita, com pouca infraestrutura para pedestres e praticamente sem espaço para estacionamento, situada na antiga Vila Lobó. A segunda opção é seguir pela Avenida Jamel Cecílio, enfrentando aproximadamente 400 metros de trânsito intenso, sobretudo nos horários de pico. Moradores relatam que, no fim da tarde, a viela se torna difícil para a circulação de veículos e insegura para pedestres.

Apesar da justificativa voltada à mobilidade, a proposta enfrenta resistência de outros órgãos municipais. A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) emitiu parecer classificando como “ambientalmente inviável” a abertura de uma via coletora dentro do perímetro do parque. Segundo o órgão, a área é protegida por lei, já sofre pressão do adensamento urbano e ocupações irregulares, e deveria ter sua área ampliada, não reduzida. A Amma também defende a desobstrução da faixa marginal do córrego Sumidouro e a recuperação da vegetação nativa.
A Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (Seplan) também se posicionou contra a intervenção no parque. Para o órgão, a solução mais adequada seria regularizar e ampliar o traçado da Rua 56-A, oficialmente denominada Rua 7. A pasta argumenta que os imóveis e lotes ao longo da via não constam como regularizados nem em processo de regularização. Em um trecho de pouco mais de 140 metros, há sete lotes de um lado e 11 do outro, além de imóveis abandonados que poderiam ser desapropriados para possibilitar o alargamento da rua. Moradores divergem quanto à situação legal dessas propriedades.
A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) também analisou o caso e manifestou concordância com o posicionamento da Seplan. Em parecer técnico, a Gerência de Estudos e Projetos de Trânsito e Mobilidade destacou que o crescimento residencial e comercial no entorno do Parque Flamboyant aumentou significativamente a demanda por deslocamentos, pressionando as vias locais. Diante dos impactos ambientais apontados pela Amma, a SET entende que a melhor alternativa é ampliar a faixa de rolamento da Rua 56-A e regularizar seu traçado, recomendando o indeferimento da proposta de abrir uma via cortando o parque.

Em nota, a Seinfra informou que continua realizando estudos técnicos para avaliar as melhores soluções de mobilidade na área do Parque Flamboyant e da Rua 56-A. As análises incluem fluxo de veículos, segurança viária, impactos ambientais e alternativas de engenharia. A secretaria não explicou como surgiu a proposta de implantar a nova via dentro do parque e afirmou que qualquer decisão será tomada somente após a conclusão das avaliações técnicas e complementares.