Cotidiano

Goianos criam IA gratuita para analisar ecocardiogramas no SUS

DM Redação

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 16:01 | Atualizado há 5 meses

Os pesquisadores goianos Patrick de Noronha e Carlos Dotas desenvolveram uma nova solução capaz de analisar ecocardiogramas automaticamente e gerar laudos de apoio.
Os pesquisadores goianos Patrick de Noronha e Carlos Dotas desenvolveram uma nova solução capaz de analisar ecocardiogramas automaticamente e gerar laudos de apoio.

Pesquisadores de Goiás avançam em IA médica com sistema para ecocardiograma baseado no PanEcho, de Yale, e gratuito para médicos do SUS

Os pesquisadores goianos Patrick de Noronha e Carlos Dotas avançaram em sua linha de pesquisa em inteligência artificial médica e desenvolveram uma nova solução capaz de analisar ecocardiogramas automaticamente e gerar laudos de apoio.
A ferramenta, chamada EcoAI Brasil, é apresentada como continuidade da pesquisa anterior da dupla em IA médica multimodal inspirada no MedGemma, do Google e agora aplicada à cardiologia, com foco em triagem, apoio diagnóstico e ampliação do acesso no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os pesquisadores, o sistema utiliza como base o modelo PanEcho, da Universidade de Yale, com resultados científicos publicados na JAMA em 2025, e foi adaptado para uma proposta prática de uso local.
“É uma continuidade natural da nossa pesquisa em IA médica. Saímos de uma arquitetura multimodal mais ampla e avançamos para uma aplicação objetiva em ecocardiografia, com foco na realidade brasileira”, afirma Patrick de Noronha. Um dos pontos centrais do projeto é que o EcoAI Brasil é totalmente gratuito para médicos do SUS, com proposta de facilitar o acesso a ferramentas de análise cardíaca assistida por IA em unidades com menor disponibilidade de especialistas.
De acordo com Carlos Dotas, a iniciativa busca reduzir barreiras tecnológicas e ampliar o suporte à tomada de decisão clínica, especialmente em contextos de triagem e priorização de pacientes. “O objetivo é democratizar o acesso. A tecnologia precisa chegar onde a demanda é maior, e isso passa por custo zero para uso médico no SUS”, destaca.
Os pesquisadores afirmam que outro diferencial do sistema é o funcionamento 100% offline após a instalação, sem necessidade de envio de dados de pacientes para servidores externos.A característica, segundo eles, fortalece a proteção de dados, facilita a adequação à LGPD e permite uso em locais com internet limitada. O sistema foi desenvolvido para processar exames em formatos médicos e vídeos ecocardiográficos, gerando relatórios automáticos de apoio com parâmetros estruturados.

Apoio ao médico, não substituição

Patrick de Noronha e Carlos Dotas ressaltam que a IA é uma ferramenta de auxílio diagnóstico e não substitui a avaliação de cardiologistas.A próxima etapa da pesquisa inclui validação clínica local, integração com prontuários eletrônicos e expansão para outras aplicações em imagem médica. Para os pesquisadores, a nova fase consolida Goiás como polo emergente em IA aplicada à saúde, com soluções práticas, abertas à colaboração e voltadas às necessidades do sistema público.


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