Internacional

Presidente do Irã promete vingança e classifica ataque como “declaração de guerra”

Redação Online

Publicado em 1 de março de 2026 às 11:43 | Atualizado há 5 meses

A morte do ex-presidente Ebrahim Raisi, em 2024, já havia aberto disputa silenciosa no alto escalão
A morte do ex-presidente Ebrahim Raisi, em 2024, já havia aberto disputa silenciosa no alto escalão

Um dia após a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em ofensiva atribuída aos Estados Unidos e a Israel, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que a retaliação “não é apenas um direito legítimo, mas um dever”. Em comunicado divulgado pela mídia estatal neste domingo (1º/03), ele classificou a ação como “uma declaração de guerra contra os muçulmanos” e prometeu resposta proporcional.

O governo confirmou a criação de um Conselho de Liderança Interina para ocupar as funções de Khamenei até a escolha de um sucessor pela Assembleia dos Peritos, composta por 88 membros. Além de Pezeshkian, integram o colegiado o aiatolá Alireza Arafi e o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei. Não há prazo definido para a deliberação.

A morte do ex-presidente Ebrahim Raisi, em 2024, já havia aberto disputa silenciosa no alto escalão. Entre os nomes citados nos bastidores figurava Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá, embora o posto de líder supremo não seja hereditário. O processo sucessório ocorre sob forte opacidade institucional.

A poderosa Guarda Revolucionária anunciou novo chefe após a morte de seu comandante no bombardeio. O general Ahmed Vahidi assumiu o posto. Ele é alvo de mandado de prisão da Interpol por suspeita de envolvimento no atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas em 1994.

Segundo a mídia estatal, a cúpula militar iraniana morreu durante encontro presencial em Teerã que avaliava a ofensiva estrangeira. Entre os mortos estão o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, o conselheiro de Defesa Ali Shamkhani, o ministro Aziz Nasirzadeh e o chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi. Israel afirmou que cerca de 40 militares e cientistas nucleares perderam a vida na operação.

O governo decretou 40 dias de luto oficial. Mesquitas hastearam a bandeira vermelha, símbolo xiita de vingança pelo derramamento de sangue. Imagens exibidas pela televisão estatal mostraram multidões nas ruas de Teerã e de outras cidades em homenagem ao agora tratado como mártir. Manifestações também ocorreram em países como Índia, Iraque e Paquistão.

O episódio elevou a tensão no Oriente Médio e ampliou o risco de confronto direto com Estados Unidos e Israel. O governo iraniano tenta demonstrar unidade interna após repressões recentes a protestos contra o regime instaurado em 1979. A promessa de retaliação amplia a incerteza sobre os próximos movimentos do conflito.

Foto: Reprodução


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