Einstein Goiânia realiza primeiro transplante de fígado da rede particular de Goiás
Redação Online
Publicado em 3 de março de 2026 às 10:11 | Atualizado há 8 meses
O Einstein Goiânia acaba de conquistar um marco inédito para a saúde em Goiás: a unidade foi oficialmente habilitada pelo Ministério da Saúde para realizar transplantes de fígado e rins. Em Goiás o Einstein é o único hospital privado no Estado autorizado a oferecer o transplante de fígado. E o avanço já é realidade, o primeiro transplante de fígado foi realizado com sucesso e a paciente apresenta excelente recuperação.
A habilitação reforça a capacidade técnica do hospital e amplia o acesso ao tratamento. Segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), atualizados em 23/12/25, o Brasil tem 48.190 pessoas aguardando por um órgão, sendo 44.605 à espera de um rim e 2.427 de um fígado. Em Goiás, são 750 pacientes na fila para diferentes órgãos. A chegada do Einstein Goiânia como centro transplantador representa uma nova alternativa para reduzir esse tempo e salvar vidas.
Primeiro transplante: um caso de alta complexidade
A primeira cirurgia hepática da unidade durou cerca de cinco horas e foi liderada pelo cirurgião Marcelo Bruno Rezende. A paciente, de 73 anos, apresentava um quadro grave, com múltiplas cirurgias prévias e indicação de transplante devido à colangite esclerosante primária (doença hepática crônica e progressiva, que causa inflamação, cicatrização (fibrose) e estreitamento dos ductos biliares, levando ao acúmulo de bile, danos ao fígado, cirrose e, eventualmente, insuficiência hepática ou câncer).
Desnutrida e com sinais importantes de disfunção hepática, ela havia passado por várias internações nos seis meses anteriores. “Apesar do cenário desafiador, a recuperação foi rápida. A paciente já está em casa, com bom funcionamento do novo fígado e uma mudança radical na qualidade de vida”, afirma Marcelo. Antes do transplante, ela dependia dos familiares até para atividades simples, como tomar banho. Agora, já apresenta autonomia plena. Para o médico, realizar um transplante hepático é um divisor de águas.
“Esse é um dos procedimentos mais complexos da medicina moderna. Um centro que se capacita para isso se habilita, automaticamente, para qualquer outro procedimento de altíssima complexidade.” O cirurgião Claudemiro Quireze, integrante da equipe de transplantes, destaca que o sucesso é fruto de um trabalho coletivo e de longo prazo.
“Todo o hospital se mobilizou nos últimos anos, com treinamentos intensivos e vistoria do SNT, garantindo segurança e excelência na execução do primeiro transplante.” Segundo ele, a experiência evidenciou a robustez do centro cirúrgico, a eficiência da medicina diagnóstica e a competência da UTI e da clínica médico-cirúrgica. O diretor do Einstein Goiânia, Mayler Olombrada, reforça o impacto institucional.
“Esse marco coloca nossa organização em um novo patamar e amplia a oferta não apenas para pacientes locais, mas também para toda a região e até outras partes do país.” O Einstein faz transplantes desde a década de 80 se consolidando como um dos principais centros de referência na área. Desde 2002, quando passou a realizar transplantes também em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o Einstein já realizou mais de 4,7 mil transplantes, sendo 90% deles em pacientes do sistema público para os casos de transplantes de órgãos sólidos.
A organização também compartilha conhecimento e boas práticas com profissionais e outros centros. Nos últimos 15 anos, mais de 7 mil profissionais foram capacitados. No atual triênio do Programa de Desenvolvimento de Apoio Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), por meio do qual realiza projetos em parceria com o Ministério da Saúde para fortalecer e aprimorar o SUS, uma das atribuições do Einstein é avaliar e sugerir aprimoramentos em processos já implementados por outros centros transplantadores, com objetivo de promover melhorias nos procedimentos, bem como na qualidade e segurança. A medida já foi iniciada em um centro no Pará.
Doação de órgãos: um gesto que salva vidas
O sucesso dos transplantes depende diretamente da doação de órgãos. O Brasil é referência mundial, com o maior sistema público de transplantes do mundo e o segundo país em número absoluto de procedimentos, atrás apenas dos Estados Unidos. Coordenada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a lista de transplantes é única no país e atende igualmente pacientes do SUS e da rede privada.
A posição de cada pessoa na lista é definida por critérios técnicos, que consideram fatores como tipagem sanguínea, compatibilidade genética e graus de gravidade específicos para cada tipo de órgão. Para ser doador de órgãos, não é necessário nenhum registro formal: basta conversar com a família e manifestar sua vontade em vida, pois a autorização é feita pelos familiares após a confirmação de morte encefálica.