Internacional

Ataques atingem central nuclear do Irã pela 1ª vez e eleva o risco de contaminação

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 3 de março de 2026 às 11:52 | Atualizado há 3 meses

Aiea alerta para risco de contaminação caso instalações nucleares sejam atingidas | Foto: REUTERS/RAHEB HOMAVANDI
Aiea alerta para risco de contaminação caso instalações nucleares sejam atingidas | Foto: REUTERS/RAHEB HOMAVANDI

Pela primeira vez desde o início da ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã, um ataque direcionado ao programa nuclear da teocracia foi oficialmente confirmado. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou nesta terça-feira (3) que a central nuclear de Natanz foi atingida.

Imagens de satélite analisadas pelo órgão mostram danos na entrada do complexo subterrâneo, que já havia sido bombardeado em junho do ano passado, quando os EUA atacaram três instalações nucleares iranianas. Na véspera, a agência havia descartado esse tipo de ação, denunciada anteriormente por autoridades iranianas.

Segundo a AIEA, não há risco imediato de vazamento radioativo. O diretor-geral da entidade, o argentino Rafael Grossi, alertou, porém, que o perigo de contaminação é real no contexto da campanha militar em curso e que, em caso de acidente, grandes contingentes populacionais poderiam precisar ser deslocados.

Usina nuclear iraniana de Natanz | Foto: Majid Saeedi/Getty Images

Bombardeiros b-2 e impasse com base britânica

Ainda não está claro se o ataque foi conduzido por forças americanas ou israelenses, mas, dada a divisão de tarefas entre os aliados, analistas consideram mais provável o envolvimento dos EUA. No domingo (1º), quatro bombardeiros furtivos B-2 realizaram missão sobre o território iraniano. A aeronave é a única do arsenal americano capaz de transportar bombas de penetração profunda usadas contra bunkers fortificados.

Os aviões decolaram da base no Missouri e cumpriram voos de 37 horas, com apoio de caças de escolta e aviões-tanque para reabastecimento aéreo. A utilização da base de Diego Garcia, no oceano Índico ,considerada estratégica por estar fora do alcance de mísseis iranianos, enfrentou resistência inicial do governo britânico.

O premiê do Reino Unido, Keir Starmer, autorizou posteriormente o uso da base para “ataques defensivos”, após pressão de Donald Trump, que também criticou a transferência do controle do arquipélago para as Ilhas Maurício.

Programa nuclear

O programa nuclear iraniano foi o principal argumento apresentado por Trump para justificar o confronto. Em 2018, ainda em seu primeiro mandato, o republicano retirou os EUA do acordo internacional que previa limitações ao enriquecimento de urânio em troca da suspensão de sanções.

Após novos confrontos e ataques em 2025, as negociações chegaram a ser retomadas, mas foram novamente interrompidas. A AIEA estima que o Irã possua 440,9 kg de urânio enriquecido a 60%, quantidade suficiente para produzir entre 10 e 15 bombas rudimentares, caso o material seja refinado a nível militar.

Além do material estocado, especialistas destacam que o conhecimento técnico acumulado ao longo de décadas não pode ser eliminado apenas com a destruição de instalações físicas , apesar de Israel manter, há anos, uma campanha de assassinatos de cientistas ligados ao programa.

Também nesta terça-feira, a estatal russa Rosatom anunciou a suspensão das operações na usina de Bushehr, que construiu e opera no Irã, alegando necessidade de reduzir riscos de acidente caso a unidade seja atingida.

(Igor Gielow/Folhapress)


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