Dia da Mulher: cinco brasileiras que se destacam na ciência e no debate social
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 6 de março de 2026 às 16:26 | Atualizado há 3 meses
Cientistas e ativistas brasileiras têm se destacado em diferentes áreas, com pesquisas e iniciativas que impactam a sociedade | Foto: Reprodução/Montagem
Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, histórias de brasileiras em diferentes áreas ganham destaque. Da ciência ao ativismo social, mulheres têm liderado pesquisas, projetos e iniciativas que influenciam debates públicos e contribuem para a produção de conhecimento no país.
Mesmo diante de desafios históricos, como desigualdade de oportunidades e barreiras estruturais, muitas brasileiras têm desenvolvido iniciativas que promovem mudanças em suas comunidades e áreas de atuação. Seja em pesquisas científicas, na defesa de direitos ou na criação de projetos sociais, essas trajetórias mostram a presença feminina em diferentes espaços da sociedade.
Entre tantas histórias de protagonismo feminino no Brasil, algumas trajetórias se destacam pelo impacto social e pela relevância de suas contribuições. Conheça cinco brasileiras que têm se destacado na sociedade por meio de suas ações.
Tatiana Sampaio: Pesquisadora da polilaminina
A cientista Tatiana Sampaio é professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1995 e coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas. Graduada, mestre em Biofísica e doutora em Ciências pela própria universidade, realizou pós-doutorado na University of Illinois, nos Estados Unidos, e também em instituições de pesquisa na Alemanha.
Há mais de 25 anos, a pesquisadora investiga a regeneração do sistema nervoso, estudando como proteínas podem influenciar o comportamento das células para restaurar conexões nervosas. Entre os resultados está a polilaminina, molécula derivada da laminina, proteína natural do organismo, que pode auxiliar no tratamento de lesões medulares.
Em fevereiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início da fase 1 de testes clínicos em humanos para avaliar a segurança da substância. Apesar do avanço, especialistas ressaltam que o composto ainda é experimental e só poderá ser considerado um tratamento após todas as etapas de testes clínicos.

Jaqueline Goes de Jesus: Cientista que mapeou o genoma do coronavírus
Nascida na Bahia, a biomédica Jaqueline Goes de Jesus integrou a equipe responsável por sequenciar o primeiro genoma do coronavírus no Brasil, feito realizado 48 horas após a confirmação do primeiro caso no país. A análise permitiu comparar o vírus detectado no paciente brasileiro com o genoma identificado em Wuhan, na China.
Jaqueline é formada em Biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, mestre em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa pelo Instituto de Pesquisas Gonçalo Moniz da Fundação Oswaldo Cruz e doutora em Patologia Humana pela Universidade Federal da Bahia em parceria com a Fiocruz.
Em 2018, durante estágio na University of Birmingham, no Reino Unido, aprendeu técnicas de sequenciamento completo de genomas por tecnologia de nanoporos, inicialmente aplicadas ao estudo do vírus Zika. O conhecimento foi posteriormente utilizado no sequenciamento do SARS-CoV-2. Atualmente, a cientista integra iniciativas de pesquisa voltadas ao monitoramento de epidemias e à resposta rápida a surtos virais.

Silvana Santos: Bióloga que identificou a síndrome de Spoan
A bióloga brasileira Silvana Santos ganhou projeção internacional ao identificar a Síndrome de Spoan, uma doença genética rara que até então não havia sido descrita pela ciência. A identificação ocorreu após anos de pesquisa em comunidades do interior do Rio Grande do Norte, onde a cientista investigou famílias que apresentavam sintomas semelhantes, como dificuldade progressiva para andar, alterações na visão e problemas neurológicos.
Formada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual da Paraíba, Silvana dedicou sua trajetória científica ao estudo da genética humana e das doenças raras. Seus estudos demonstraram que a síndrome é causada por uma mutação genética herdada do pai e da mãe, o que ajudou a explicar a maior incidência da condição em comunidades com histórico de casamentos consanguíneos.
A descoberta permitiu que pacientes antes sem diagnóstico passassem a receber acompanhamento adequado e ampliou o conhecimento científico sobre distúrbios neurológicos hereditários. A pesquisa também contribuiu para dar visibilidade às famílias afetadas por doenças raras.

Márcia Barbosa: Pesquisadora das estruturas complexas da molécula de água
A física brasileira Márcia Barbosa é reconhecida internacionalmente por suas pesquisas sobre o comportamento das moléculas de água e suas estruturas complexas. Em seus estudos, a cientista investiga anomalias presentes na molécula e como essas características ajudam a compreender fenômenos relacionados à disponibilidade de água doce no planeta.
Professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Márcia Barbosa integra a Academia Brasileira de Ciências e já recebeu prêmios nacionais e internacionais por suas contribuições à física. Seu trabalho também foi reconhecido em iniciativas internacionais que destacam a participação feminina na ciência.
Além da produção acadêmica, a pesquisadora atua em iniciativas voltadas ao incentivo da presença de mulheres nas áreas de ciência e tecnologia.

Djamila Ribeiro: Referência no combate ao racismo e no feminismo negro
A filósofa e escritora brasileira Djamila Ribeiro é uma das vozes presentes no debate público sobre racismo e desigualdade social no Brasil. Professora e ativista, ela discute o conceito de racismo estrutural e a permanência de práticas discriminatórias na sociedade brasileira.
Também atuante no movimento feminista, Djamila aborda a realidade brasileira marcada por índices de violência de gênero. Em seus debates e produções intelectuais, trata de temas como agressões contra mulheres, estupros e feminicídios.
Em obras como o livro “Quem tem medo do feminismo negro?”, a autora analisa as particularidades da discriminação enfrentada por mulheres negras e discute como racismo e sexismo se relacionam na produção de desigualdades.
As trajetórias dessas mulheres mostram a presença feminina em diferentes áreas da sociedade brasileira, com contribuições na produção científica, no debate público e em iniciativas sociais.
