Jovem de Goiânia desaparece após descobrir gravidez e família busca respostas
Redação Online
Publicado em 9 de março de 2026 às 17:53 | Atualizado há 3 meses
No documento deixado no apartamento, Mayra pediu desculpas à mãe e declarou amor aos familiares
A estudante de enfermagem Mayra Silva Paula desapareceu aos 20 anos, na madrugada de 4 de julho de 2009, em Goiânia. Quase duas décadas depois, o paradeiro da jovem permanece desconhecido. O caso chegou a integrar a Difusão Amarela da Interpol, mecanismo internacional usado na busca por pessoas desaparecidas em mais de 190 países. A família afirma que a investigação perdeu força ao longo dos anos e critica a falta de respostas das autoridades responsáveis pelo caso.
O último registro da jovem ocorreu às 00h45, quando ela recebeu uma ligação de um telefone público instalado em frente ao prédio onde morava com amigas, no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia. Mayra desceu até a portaria após atender o chamado e nunca mais voltou ao apartamento. Depois do desaparecimento, apenas um torpedo enviado à amiga surgiu como pista. Na mensagem, a estudante informou que havia deixado uma carta à mãe e revelou uma gravidez até então desconhecida pela família.
No documento deixado no apartamento, Mayra pediu desculpas à mãe e declarou amor aos familiares. A jovem afirmou que tentou resolver um problema, mas não conseguiu. A mãe, Edlamar Rosário da Silva Oliveira, contou que inicialmente pensou em suicídio, hipótese descartada com o passar do tempo pela ausência de qualquer vestígio. Segundo ela, a filha demonstrava receio de contar sobre a gestação e temia a reação da família.
O então namorado de Mayra, um policial militar, figurou como principal suspeito durante as investigações, mas acabou inocentado por falta de provas. Ele confirmou à polícia que conversou com a estudante sobre a gravidez e relatou que ela estava nervosa com a situação. Testemunhas disseram que o carro do policial ficou estacionado em frente ao prédio na noite anterior ao desaparecimento. Mesmo com depoimentos e análises do caso, nenhuma evidência ligou o militar diretamente ao sumiço.
A investigação passou pela Polícia Civil de Goiás e chegou à Justiça Federal após suspeita de possível saída do país ou envolvimento com tráfico humano. Sem novas pistas, o processo acabou arquivado em 2019. A mãe da jovem afirma que convive com a dor da incerteza desde então. Segundo ela, o telefone da filha ainda chamava por meses após o desaparecimento, até ser desativado no ano seguinte.
Foto: Interpol