Cachorro comunitário sofre queimaduras com líquido quente por maldade “humana”
Léo Carvalho
Publicado em 16 de março de 2026 às 14:57 | Atualizado há 4 meses
Um cachorro comunitário, conhecido como Johnny na vizinhança, sofreu queimaduras graves após ser atingido por um líquido arremessado por uma mulher em Goiânia. O caso ocorreu no Setor Castelo Branco e foi registrado por uma câmera de segurança instalada em frente a uma residência da região.
As imagens, obtidas pela TV Anhanguera, mostram o animal deitado na calçada, próximo ao portão de uma casa. Em determinado momento, a mulher aparece na entrada do imóvel e lança um líquido na direção do cachorro. Logo após ser atingido, o animal se levanta rapidamente e corre pela rua, gritando de dor.
Moradores afirmam que o líquido seria óleo quente. O cachorro era conhecido no bairro e recebia cuidados de diferentes pessoas da vizinhança, que costumavam oferecer água, alimento e abrigo.

Dia da maldade
A crueldade ocorreu no dia 5 de março, mas as imagens passaram a circular apenas nesta semana. Após o ataque, Johnny foi resgatado por moradores da região, que perceberam os ferimentos provocados pelas queimaduras.
O empresário Wander Rodrigues Borges contou à TV Anhanguera que a secretária de sua mãe ouviu o cachorro chorando logo após o episódio. “Ela escutou o choro dele, que foi muito alto. E saiu lá fora e viu ele correndo. Na semana seguinte, quando voltava para a casa da minha mãe, encontrou ele todo queimado. A revolta é de todo mundo aqui, porque todo mundo cuidava dele”, relatou.
Uma moradora ajudou a limpar os ferimentos do animal após ele retornar ao local onde costumava ficar. “Ele foi queimado. Jogaram óleo nele. Quando ele chegou de volta, estava todo machucado. O óleo estava grudado no couro, na carne viva. Aí a gente começou a lavar”, contou uma testemunha.
Após iniciar tratamento com medicamentos, os ferimentos começaram a apresentar melhora, mas o cachorro ainda precisa de cuidados. A técnica em veterinária Estefânia Mota Alves afirmou que o estado de saúde do animal exige atenção.
“Ele precisa ser internado para receber medicamentos endovenosos. Ele está apresentando febre e a infecção pode passar para o sangue e para os órgãos, o que pode agravar o quadro e até trazer risco de morte”, explicou.
Versão da maldade
A mulher identificada como Cassilda Ferreira de Almeida negou ter cometido o ataque. Em entrevista à TV Anhanguera, ela afirmou que estava lavando a calçada no momento e que teria jogado apenas uma mistura de água com água sanitária.
O caso é investigado pela Polícia Civil. A delegada Simelli Lemes, do Grupo de Proteção Animal, informou que qualquer tipo de abuso, ferimento ou mutilação contra animais caracteriza crime de maus-tratos. Segundo ela, quando a vítima é um cão ou gato, a pena pode chegar a cinco anos de prisão, além de multa.
De acordo com a delegada, a denúncia foi registrada no dia 12 de março. No dia 15, a Polícia Civil solicitou uma perícia que confirmou que o cachorro sofreu queimaduras térmicas. O laudo preliminar apontou que Johnny teve quase metade do corpo atingida pelas queimaduras, algumas delas de terceiro grau, o que provocou intenso sofrimento ao animal.
Com a confirmação pericial, a Polícia Civil deve ouvir as pessoas envolvidas no caso para esclarecer as circunstâncias do ocorrido. A polícia também lembra que denúncias de maus-tratos a animais podem ser feitas pelo WhatsApp do 197, pela delegacia virtual ou presencialmente em uma unidade policial.