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Barão Vermelho vai tocar grandes clássicos na Arena Goiás nesta sexta-feira (20/3)

Redação Online

Publicado em 18 de março de 2026 às 22:31 | Atualizado há 4 meses

Da esquerda para a direita: Fernando Magalhães, Maurício Barros, Rodrigo Suricato e Guto Goffi - Foto: Leo Aversa
Da esquerda para a direita: Fernando Magalhães, Maurício Barros, Rodrigo Suricato e Guto Goffi - Foto: Leo Aversa

Marcus Vinícius Beck

Olhos, bocas, pés e tudo o mais. O Barão Vermelho pretende sacudir o público na Arena Goiás, em Goiânia, nesta sexta-feira (20), a partir das 20h15, com um repertório de clássicos. Durante o show, o grupo carioca vai tocar seus grandes sucessos em 44 anos de carreira.

É um rock carnívoro, lâmina afiada retalhando instantes de solidão, como disse o jornalista Zeca Jagger. É um rock-escárnio, rock-canibal, rock-insano, rock-chantagem, rock-navalha.

Como um breque de blues, a eletricidade distorce um pouco a vida. O Barão carrega um trunfo, além de sua energia stoneana: suas músicas estão grudadas na memória afetiva das pessoas. Mordem o calcanhar. Latem e rosnam. Enfim, são enciclopédias do rock brasuca.

Na Praça Cívica, como tem ocorrido durante a turnê “Do Tamanho da Vida”, o rock “Maior Abandonado” abrirá o show. A melodia contrasta com a letra. Autor dos versos, Cazuza se confessa interessado por mentiras sinceras. A guitarra chia, no miolo, ao estilo Chuck Berry.

“Mais uma dose? É claro que eu tô a fim”, entoará o vocalista e guitarrista Rodrigo Suricato, sem papo. “Por Que A Gente É Assim” foi parida por Cazuza e Ezequiel Neves. A pergunta existencialista era um deboche ezequeliano largado na Pizzaria Guanabara, no Baixo Leblon.

Lançada no LP “Maior Abandonado”, de 1984, a canção entrelaça drogas e sexo. Quando Suricato cantar “você tem exatamente um segundo prá aprender a me amar”, a promessa está feita: bolero? Não, quebra de expectativa: “Você tem a vida inteira/ Prá me devorar.”

Cazuza (ao centro) fez parte do Barão até 1985, quando virou artista solo – Foto: Divulgação

Como não?

E aí, Suricato, como não berrar de prazer? Como não uivar de joelhos e depois ser arrancado dessa posição? Como não lembrar dos romances urbanos e do vai-e-vem dos quadris no dia que nascerá feliz? O som, meu caríssimo, criará um bacanal de emoções e loucuras sóbrias.

O músico carioca fala sobre sua chegada ao Barão. Substituto de Roberto Frejat desde 2017, ele estava atrasado para o ensaio. Abriu a porta do estúdio: rolava “Bete Balanço”. “Soava exatamente como Barão, com todo o respeito e reverência que eu tenho ao Frejat”, conta.

“Bete Balanço”, aliás, será a terceira faixa do show. Pense em Eric Clapton reencarnado em Santana: é algo assim a guitarra de Frejat, que dedilha um memorável solo ao fim da canção. Justiça seja feita, Suricato também enfeitiça geral ao tocá-lo — é, vai vendo, um guitar hero.

Certo dia na cidade, invertendo os papéis, Frejat compôs a melodia. Cazuza leu um roteiro e rascunhou: “Pode seguir a tua estrela/ O teu brinquedo de star/ Fantasiando em segredo/ O ponto aonde quer chegar.” Foi a música-tema do filme dirigido por Lael Rodrigues, em 1984.

Eis que começam a ressoar os acordes de “O Tempo Não Para”, realizada durante o período mais produtivo e sensível de Cazuza, em 1987. Antes de embarcar para os EUA, onde faria um tratamento, Arnaldo Brandão lhe mostrou a música. Caju, satisfeito, gostou: “parece Bob Dylan, vou fazer uma canção de protesto.” Tempos depois, ele mandou a letra por telefone.

“Aprendi com Cazuza o respeito à homossexualidade”, diz baterista

Guto Goffi, fundador do Barão: músico fala sobre o poeta Foto: @nereujr/ Facebook/ Barão Vermelho

Pura simpatia, Guto Goffi sorri. Este cronista mala, em elevado grau etílico, acha por bem alugá-lo. Guto afirma: “Aprendi com Cazuza o respeito à homossexualidade.” E o que ficou? “A semente poética, os orgasmos das ilusões e os sonhos impossíveis que aconteceram.”

Entre “O Tempo Não Para” e “Meus Bons Amigos”, um solo de bateria. Guto Goffi, o nosso Charlie Watts, batuca no circuito caixa-prato-chimbal. Alto impacto sonoro. De repente, inicia-se o riff do rock gravado e lançado no cultuado disco “Carne Crua”, de 1994.

“Do Tamanho da Vida”, o Barão arriscaria um rock inédito na Arena Goiás? Possivelmente. É o nome de sua atual turnê. Além do mais, foi garimpado pelos barões nas poesias inéditas de Cazuza. “Se a vida é promessa / Queremos ‘de luxe’/ Nós somos veneno”, entoa Suricato.

Talvez haja a balada “O Poeta Está Vivo”, do LP “Na Calada da Noite”, de 1990. A música traz um belíssimo solo do guitarrista Fernando Magalhães, que está na banda desde 1985.

Lírica

Roqueira e intensa, a lírica transforma o tédio em melodia: “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”. Mais uma de Frejat e Cazuza. O tecladista Maurício Barros executa a introdução de “Down em Mim”: “E me lembrar, sorrindo, que o banheiro/ É a igreja de todos os bêbados.”

Após o blues, a temperatura está alta. Suricato troca a guitarra pelo violão para interpretar a romântica “Por Você”, de Frejat, Maurício Barros e Mauro Santa Cecília. O Barão, jogado aos teus pés, fica “Exagerado”, pra lembrar os compositores Cazuza, Ezequiel e Leoni. Aí vem aquele “Amor Pra Recomeçar”, essa canção autoajuda de Frejat, Barros e Santa Cecília.

Algumas flores ainda brotam na imaginação. A banda manda ver “Malandragem Dá um Tempo”, de Bezerra da Silva: “Vou apertar, mas não vou acender agora.” “Pro Dia Nascer Feliz”, ela é “Puro Êxtase”. Já dizia o poeta Jorge Salomão: decifra-me ou devoro-te.


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