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Conheça Diogo Moreira: piloto que irá representar o Brasil na MotoGP

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 19 de março de 2026 às 17:49 | Atualizado há 4 meses

Diogo Moreira representa o Brasil entre os grandes nomes da motovelocidade | Foto: Red Bull
Diogo Moreira representa o Brasil entre os grandes nomes da motovelocidade | Foto: Red Bull

Após quase duas décadas fora da principal categoria da motovelocidade mundial, o Brasil volta a ter um representante no grid da MotoGP. Em 2026, a bandeira brasileira será defendida pelo paulista Diogo Moreira, de 21 anos, que chega à elite do esporte depois de conquistar o título da Moto2 na temporada passada.

Nascido em Guarulhos, na Grande São Paulo, Moreira desponta como um dos principais talentos da nova geração do motociclismo nacional. Ele iniciou a carreira ainda na infância, começou no motocross e, posteriormente, migrou para a motovelocidade. Ainda jovem, mudou-se para a Europa para se desenvolver nas principais competições do mundo, trajetória que culminou com a conquista inédita do título da Moto2 em 2025, feito que colocou o Brasil novamente em destaque no cenário internacional.

A chegada do piloto à MotoGP marca um momento simbólico para o país. Sua estreia na categoria encerra um intervalo de 18 anos sem brasileiros na classe principal, desde a última participação de Alexandre Barros, que competiu pela última vez em 2007. Agora, Diogo Moreira disputa o Grande Prêmio do Brasil, programado para os dias 20, 21 e 22 de março, em Goiânia.

Início de carreira

Diogo começou no esporte disputando provas de motocross ainda na infância. Aos 10 anos, já havia conquistado um título brasileiro na categoria 50 cc. Foi nesse período, nas pistas de terra, que chamou a atenção de Alexandre Barros, que o incentivou a migrar para a motovelocidade e o levou a integrar um projeto voltado à formação de novos talentos.

Diogo Moreira ainda criança durante início da carreira no motocross onde conquistou o primeiro lugar na categoria de 50 cc | Foto: Arquivo pessoal

Diogo Moreira já destacou que o incentivo de Alexandre Barros foi fundamental para sua trajetória no esporte e reconhece que dificilmente teria alcançado o atual momento sem esse apoio. Coincidentemente, ele passa a ocupar o posto deixado por Barros, último brasileiro a disputar a MotoGP.

Diogo Moreira ainda jovem recebe orientações de Alexandre Barros nos boxes durante fase inicial na motovelocidade | Foto: Arquivo pessoal

Em 2017, Diogo deu continuidade à carreira internacional ao se mudar para a Espanha, buscando evolução nas principais competições de base da motovelocidade. Dois anos depois, estreou na Talent Cup do Campeonato Espanhol, onde conquistou uma vitória e subiu ao pódio em outras três ocasiões, encerrando a temporada na sexta colocação.

Em 2020, avançou para a categoria Moto3 do mesmo campeonato, tendo como melhor resultado um quinto lugar e finalizando o ano na 11ª posição. No ano seguinte, seguiu na mesma classe e repetiu a colocação geral. Paralelamente, também competiu na Red Bull Rookies Cup em 2021, terminando em sexto lugar, com quatro pódios e uma pole position.

Moto3

Em 2022, Diogo Moreira passou a disputar o Mundial de Motovelocidade na classe Moto3 pela equipe MT Helmets – MSi, pilotando uma KTM RC250GP e tendo como companheiro o japonês Ryusei Yamanaka. Na temporada de estreia, conquistou sua primeira pole position no Grande Prêmio de Silverstone e encerrou o campeonato na oitava colocação geral, desempenho que lhe garantiu o título de melhor estreante do ano.

Diogo Moreira durante temporada de estreia na Moto3 em 2022 quando foi eleito melhor novato do campeonato | Foto: MSi/Grande Prêmio

Já em 2023, o brasileiro iniciou a temporada em alta ao conquistar o terceiro lugar em Portugal, resultado que marcou o primeiro pódio da equipe MSi KTM na categoria e também o primeiro de um piloto brasileiro nas classes de acesso da MotoGP. Na sequência, superou a marca com um segundo lugar na Argentina. O ponto alto veio no Grande Prêmio da Indonésia, onde largou na pole position e conquistou a vitória, encerrando um jejum de duas décadas sem triunfos do Brasil nas categorias do Mundial de Motovelocidade.

Diogo Moreira durante sua passagem pela Moto3 em 2023 | Foto: KTM

Ao fim da temporada, Moreira repetiu a oitava posição no campeonato de pilotos, mas apresentou evolução no desempenho, somando 131 pontos, 19 a mais em relação ao ano anterior.

Moto2

Diogo Moreira correndo pela Italtrans | Foto: Reprodução/Internet

Em 2024, Diogo Moreira deu o salto para a Moto2 e passou a integrar a equipe Italtrans Racing Team, correndo com o número 10 ao lado do italiano Dennis Foggia. Em sua temporada de estreia na categoria intermediária, o brasileiro enfrentou desafios de adaptação, mas conseguiu evoluir ao longo do campeonato.

O principal destaque veio na etapa final, no GP Solidário de Barcelona, quando travou uma disputa acirrada com o japonês Ai Ogura, campeão da temporada, e garantiu o terceiro lugar por uma diferença mínima de 43 milésimos. O resultado marcou seu único pódio no ano e também representou o primeiro do Brasil na Moto2 desde 1973, quando Adu Celso venceu na antiga classe 350cc, na Espanha.

Ao fim da temporada, Moreira somou 80 pontos e terminou na 13ª colocação geral, sendo o melhor estreante do grid. Posteriormente, o piloto reconheceu que lidou com dificuldades relacionadas à própria confiança, influenciado pelas expectativas criadas para o ano de estreia, mas conseguiu reagir na parte final do campeonato após ajustar sua abordagem mental.

Temporada histórica garante título inédito na Moto2

Diogo Moreira após conquistar o título da Moto2 | Foto: Red Bull

Em 2025, Diogo Moreira seguiu na equipe Italtrans Racing Team e passou a dividir os boxes com o espanhol Adrián Huertas. Após um início consistente, o brasileiro conquistou seu primeiro pódio da temporada ao terminar em segundo lugar no GP da Grã-Bretanha, aproveitando a disputa direta entre Arón Canet e David Alonso.

Na etapa de Aragón, Moreira alcançou um feito inédito ao garantir sua primeira pole position na Moto2, também a primeira de um piloto brasileiro na categoria. Na corrida, chegou a liderar, mas acabou superado por Deniz Öncü na última curva, cruzando a linha de chegada novamente em segundo, por uma diferença mínima de apenas três milésimos.

A primeira vitória veio no GP da Holanda, marcando um momento histórico: Moreira se tornou o primeiro brasileiro a vencer uma corrida na Moto2. O bom desempenho se manteve ao longo da temporada, com mais um triunfo na Áustria e um segundo lugar na Hungria, resultados que o colocaram de vez na disputa pelo título contra o então líder Manuel González.

A briga pelo campeonato se intensificou nas etapas seguintes. Moreira assumiu a vice-liderança após terminar em quarto em San Marino, empatado em pontos com Arón Canet, e passou a reduzir a diferença para González a partir do GP do Japão, onde foi terceiro. Na Indonésia, conquistou sua terceira vitória no ano, etapa em que González acabou desclassificado por irregularidades técnicas e, com o terceiro lugar na Austrália, diminuiu a vantagem do espanhol para apenas dois pontos.

A liderança do campeonato veio na Malásia, após Moreira terminar em quinto e ver o rival não pontuar. Em Portugal, o brasileiro consolidou sua arrancada ao garantir sua sétima pole e a quarta vitória na temporada, enquanto González terminou apenas em sexto. Com isso, abriu uma vantagem confortável de 24 pontos na classificação.

Na etapa final, em Valência, Moreira confirmou o título ao terminar em décimo lugar, beneficiado novamente pelo fato de González não pontuar. Ao fim do campeonato, somou 287 pontos, com sete poles, duas voltas mais rápidas, nove pódios e quatro vitórias, garantindo o troféu com 30 pontos de vantagem sobre o espanhol.

A conquista teve peso histórico: além de se tornar o primeiro brasileiro campeão da Moto2, Diogo Moreira também passou a ser o primeiro piloto do país a vencer um campeonato mundial de motovelocidade, incluindo todas as categorias, como MotoGP e Moto3.

MotoGP em 2026

Em outubro de 2025, a equipe LCR Honda anunciou a contratação de Diogo Moreira para a disputa da temporada 2026 da MotoGP. Com o acerto, o piloto de Guarulhos passou a integrar um grupo seleto, tornando-se o quinto brasileiro a competir na principal categoria da motovelocidade e o primeiro desde a última participação de Alexandre Barros, em 2007. Na nova equipe, terá como companheiro o francês Johann Zarco.

Para a estreia na categoria, Moreira precisou abrir mão do número 10, que marcou sua trajetória na Moto2. Como alternativa, decidiu adotar um número com significado especial: o 11, escolhido como forma de homenagear a tradição do futebol brasileiro. A decisão foi confirmada em novembro, logo após a conquista do título na categoria intermediária.

Agora, Diogo Moreira se prepara para disputar o Grande Prêmio do Brasil, programado para os dias 20, 21 e 22 de março, em Goiânia.


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