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Cinema brasileiro ganha projeção internacional e aposta em filmes com chances no Oscar 2027

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 23 de março de 2026 às 17:11 | Atualizado há 2 meses

Cinema nacional amplia presença no cenário global com novas produções | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Cinema nacional amplia presença no cenário global com novas produções | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O cinema brasileiro vive um momento de projeção internacional. Nos últimos anos, produções nacionais voltaram a ganhar espaço entre as principais do mundo e retornaram ao radar do Oscar. Esse movimento reforça a força das histórias brasileiras no exterior e alimenta a expectativa por uma possível indicação na edição de 2027, embora isso não garanta presença na premiação.

Mesmo impulsionado pelos resultados de Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025), o caminho até uma indicação envolve uma combinação de fatores que vão além da qualidade das obras. A safra de produções brasileiras segue em crescimento, mas especialistas apontam que visibilidade internacional, estratégia e investimento continuam sendo determinantes para transformar potencial em indicação.

Filmes brasileiros que chegam como apostas para o Oscar

Feito Pipa, de Allan Deberton
Gugu, um menino de 11 anos que sonha em ser jogador de futebol, vive uma relação de liberdade e afeto com sua avó, Dilma. Diante da fragilidade da saúde dela, ele tenta esconder a situação para evitar a separação e o reencontro forçado com um pai que não o aceita. Estrelado por Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira.

Geni e o Zepelim, de Anna Muylaert
Inspirado na obra de Chico Buarque, o filme acompanha uma prostituta hostilizada pela cidade onde vive. Sua sorte muda quando um militar (Seu Jorge) ameaça destruir a região, a menos que Geni aceite se deitar com ele, colocando o destino de seus algozes em suas mãos.

Velhos Bandidos, de Claudio Torres
Uma comédia de ação que acompanha um casal de assaltantes veteranos que planeja um último e audacioso assalto a um banco. Para o plano dar certo, eles precisam recrutar dois jovens criminosos inexperientes, gerando conflito de gerações enquanto tentam executar o crime perfeito. Estrelado por Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos.

Corrida dos Bichos, de Fernando Meirelles
Ambientado em um Rio de Janeiro distópico e tecnológico, o filme apresenta um universo em que o Jogo do Bicho evoluiu para uma corrida de parkour de alta performance. A trama acompanha um jovem que entra na competição para salvar a vida de sua irmã, enfrentando as castas que dominam a cidade. Estrelado por Rodrigo Santoro, Isis Valverde, Bruno Gagliasso e Matheus Abreu.

A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai
O documentário retrata meninas do sertão do Piauí equilibrando-se entre tradições familiares, desigualdade de gênero e sonhos de futuro.

100 dias, de Carlos Saldanha
Baseado na história real de Amyr Klink, o longa narra a travessia solitária do navegador pelo Oceano Atlântico Sul, em um barco a remo, partindo da África em direção ao Brasil. O filme é estrelado por Filipe Bragança.

Escola Sem Muros, de Cao Hamburger
A cinebiografia do político paulista Braz Nogueira (1928–2018) mostra como ele, com apoio de líderes comunitários, transformou uma escola marcada pela violência urbana em um espaço de convivência e lazer. A produção é protagonizada por Júlio Andrade.

Caminhos para chegar ao Oscar

Para especialistas, o primeiro passo para um filme alcançar o Oscar está nos festivais internacionais. Eventos como o Festival de Cannes e o Festival de Veneza funcionam como vitrines globais, permitindo que produções ganhem visibilidade e atraiam distribuidoras internacionais.

O circuito de festivais é considerado essencial para qualquer produção estrangeira que deseje disputar uma vaga na premiação. É nesses espaços que ocorrem negociações com empresas responsáveis por levar os filmes ao mercado norte-americano.

Mesmo assim, a presença em festivais não assegura a indicação. O investimento em marketing é apontado como um fator decisivo, já que campanhas bem estruturadas aumentam a visibilidade entre os votantes e podem impulsionar filmes menos evidentes.

Segundo análises do setor, histórias com apelo universal, mas ancoradas em contextos locais, tendem a ter maior força. Além disso, diretores já consolidados facilitam o reconhecimento internacional e ampliam as chances de circulação das obras.

Entre os nomes que chegam com mais peso na safra de 2026 estão Fernando Meirelles, Cao Hamburger e Anna Muylaert, que terão produções estreando no próximo ano. Projetos como Corrida dos Bichos e 100 dias surgem como apostas com maior potencial de alcance fora do Brasil, enquanto outros títulos podem enfrentar mais desafios dependendo de seu perfil.

Há também ressalvas sobre o impacto de alguns festivais. Mesmo premiado em Berlim, Feito Pipa pode não ter o mesmo peso na corrida ao Oscar, já que o evento não costuma influenciar tanto a premiação quanto Cannes ou Veneza.

A decisão sobre qual filme representará o Brasil na disputa pelo Oscar de 2027 caberá à Academia Brasileira de Cinema. A escolha deve considerar não apenas o valor artístico, mas também o potencial de campanha e a capacidade de circulação internacional da obra.


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