Neto é investigado por desviar R$ 37 milhões de herança de fazendeira em Goiás
Redação
Publicado em 15 de abril de 2026 às 18:31 | Atualizado há 2 meses
As investigações indicaram inconsistências na divisão dos recursos entre os herdeiros
O zootecnista Fabiano Pedrosa Leão entrou na mira da Polícia Civil após suspeita de desviar cerca de R$ 37 milhões da própria avó, a fazendeira Angélica Gonçalves Pedrosa, em Itumbiara, no sul de Goiás. Ele administrou os bens da idosa por anos e mantinha forte atuação no meio agropecuário, com presença frequente em leilões de gado.
Segundo a apuração, Fabiano assumiu a gestão financeira da avó em 2009, após a morte do avô. Com o tempo, conquistou a confiança da família e passou a ter acesso amplo às contas bancárias. Após a morte da idosa, em 2024, ele permaneceu à frente da condução do patrimônio, o que levantou suspeitas entre os herdeiros.
As investigações indicaram inconsistências na divisão dos recursos entre os herdeiros. Um dos pontos que chamou atenção foi o saque de aproximadamente R$ 1,5 milhão feito dois dias após a morte da avó. O investigado afirmou que utilizou o valor para quitar dívidas familiares e alegou possuir documentos que comprovariam a legalidade das operações.
A Polícia Civil não descarta a participação de terceiros no caso. Há indícios de envolvimento de funcionários de instituições financeiras, cartórios e até produtores rurais da região. A linha investigativa considera a hipótese de atuação de uma organização criminosa para viabilizar as transações.
A mãe de Fabiano, Marli Gonçalves Pedrosa Leão, também passou a ser investigada. A defesa sustenta que ela não participou de qualquer irregularidade e que pode ter sido vítima do uso indevido de seus dados.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Goiânia e Firminópolis. A polícia recolheu celulares, computadores e documentos, que seguem sob análise. O inquérito entrou na fase final e deve ser encaminhado à Justiça.
A condição da fazendeira é considerada peça-chave no caso. Angélica era semianalfabeta, tinha dificuldades com tecnologia e dependia de terceiros para lidar com questões financeiras. Familiares relataram que, apesar do patrimônio elevado, ela vivia com renda mensal de cerca de R$ 7 mil.
Durante a operação, Fabiano foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo após a apreensão de duas armas. Ele pagou fiança e foi liberado. A Justiça também determinou o bloqueio de bens.
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