Médicos denunciam atraso de salários e falhas graves em hospital infantil de Goiânia
Redação
Publicado em 16 de abril de 2026 às 21:24 | Atualizado há 2 meses
Em nota, a administração negou irregularidades e afirmou que mantém padrão técnico de atendimento
Médicos que atuaram no Hospital Infantil de Campinas, em Goiânia, denunciaram atrasos prolongados no pagamento de honorários, o que levou ao desligamento de ao menos 14 profissionais. Segundo os relatos, há casos de meses sem remuneração, com uma dívida total próxima de R$ 290 mil. Os trabalhadores afirmaram que tentativas de negociação com a diretoria não tiveram resultado efetivo.
Além das pendências financeiras, os profissionais citaram problemas estruturais que, segundo eles, comprometeram a assistência pediátrica. Entre os episódios descritos estão a ausência de triagem no pronto-socorro, interrupção temporária dos atendimentos por falta de plantonistas e interdição do laboratório interno pela Vigilância Sanitária no início do ano.
Com o laboratório fechado parcialmente, familiares precisaram recorrer a outras unidades para realização de exames, mesmo com o hospital ao manter faturamento por meio de convênios. Também houve relatos de escassez de insumos básicos e de sobrecarga no atendimento, cenário que refletiu em avaliações negativas publicadas por usuários.
Médicos ouvidos relataram dificuldades pessoais decorrentes da falta de pagamento, junto da impossibilidade de arcar com despesas básicas. Um dos profissionais afirmou que chegou a trabalhar sem recursos para deslocamento. Outro destacou que, apesar de atenderem milhares de pacientes, muitos colegas não receberam pelos plantões realizados.
O Conselho Regional de Medicina de Goiás informou que recebeu as denúncias e notificou a unidade para esclarecimentos. O órgão também comunicou o sindicato da categoria e afirmou que acompanha o caso, com possibilidade de apuração de eventuais infrações éticas.
Em nota, a administração negou irregularidades e afirmou que mantém padrão técnico de atendimento. A instituição declarou que as pendências financeiras seguem cronograma de regularização e que firmou acordo para quitar valores devidos, com previsão de pagamento de saldo restante em maio. Sobre o laboratório, informou que a interdição ocorreu por questões documentais, sem risco aos pacientes.
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