Goiás registra 115 mortes por doenças respiratórias e alta por internações
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 17 de abril de 2026 às 14:58 | Atualizado há 2 meses
Aumento de casos respiratórios pressiona hospitais e gera fila por leitos | Foto: Reprodução
O avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) tem pressionado o sistema de saúde em Goiás e já resultou em 115 mortes neste ano. Nas últimas 24 horas, 112 pacientes aguardavam por um leito de internação, evidenciando a sobrecarga da rede.
Segundo o secretário estadual de Saúde, Rasílio Santos, o ritmo de crescimento dos casos preocupa. “Estamos observando um aumento antecipado, com picos de solicitações de internação enquanto a ocupação já se aproxima do limite”, afirmou.
Diante do cenário, o governo estadual decretou situação de emergência na última quarta-feira (15). O objetivo é reorganizar a assistência e ampliar a capacidade de atendimento.
A medida foi adotada antes do período habitual de maior incidência, que costuma ocorrer em maio. Com isso, o Estado busca viabilizar recursos federais para manutenção de leitos e acelerar respostas diante da alta demanda.
Pressão sobre leitos pediátricos agrava cenário
A falta de vagas, especialmente para crianças, tem intensificado a crise. De acordo com a subsecretária de Saúde, Amanda Melo, houve redução de 16 leitos de UTI pediátrica em Goiânia após o fechamento de estruturas em unidades como o Hospital das Clínicas e o IGOP.
A perda desses espaços impacta diretamente a assistência, com cerca de 50 crianças graves por mês deixando de ter acesso ao atendimento adequado.
Baixa cobertura vacinal amplia número de casos graves
Além da circulação de vírus como o Vírus Sincicial Respiratório e a Influenza A, incluindo novas variantes, a baixa adesão à vacinação é apontada como fator determinante para o aumento das internações. Atualmente, apenas 16,19% do público prioritário foi imunizado no estado.
Dados da Secretaria de Saúde indicam que, no ano anterior, cerca de 70% das internações ocorreram entre pessoas não vacinadas. Os idosos concentram a maior parte dos óbitos, o que reforça a importância da imunização como forma de reduzir complicações e transmissão.
A orientação do governo é que municípios ampliem o acesso às vacinas, com funcionamento das salas inclusive em horários alternativos.
Medidas emergenciais e orientações à população
Para enfrentar a demanda crescente, o Estado passou a oferecer incentivos financeiros de até R$ 2 mil por diária a hospitais municipais e filantrópicos que abrirem novos leitos de UTI voltados a doenças respiratórias. A estratégia busca ampliar a retaguarda e aliviar a pressão sobre unidades de maior porte.
Enquanto a rede é reforçada, autoridades de saúde recomendam a adoção de medidas preventivas. Nesse sentido, o uso de máscaras por pessoas com sintomas gripais é recomendado. Além disso, o afastamento de crianças doentes do ambiente escolar e a busca por atendimento médico nos primeiros sinais da doença estão entre as orientações.
O governo também disponibiliza gratuitamente o antiviral Oseltamivir nas unidades de saúde. Ele é oferecido mediante prescrição médica, com indicação preferencial nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas.