Goiânia é apontada como centro de esquema milionário de desvio de medicamentos para câncer
Wanda Oliveira
Publicado em 17 de abril de 2026 às 21:57 | Atualizado há 2 meses
Os criminosos priorizavam medicamentos de alto custo, alguns avaliados em até R$ 80 mil por unidade
Uma operação policial realizada nesta sexta-feira (17/04) desarticulou uma organização criminosa envolvida no desvio de medicamentos de alto custo em Goiás e no Distrito Federal. As apurações indicaram que o grupo atuava de forma estruturada, com foco em remédios utilizados no tratamento de câncer e em pacientes transplantados.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, Goiânia funcionava como o principal núcleo estratégico da quadrilha. Na capital, o líder do esquema coordenava as ações e movimentava valores expressivos, que chegaram a R$ 22 milhões em apenas um ano.
Os criminosos priorizavam medicamentos de alto custo, alguns avaliados em até R$ 80 mil por unidade. Entre os alvos estavam remédios amplamente utilizados em tratamentos oncológicos, devido à alta demanda e valor elevado no mercado.
Após o desvio ou roubo, os produtos passavam por um processo de “lavagem”. Empresas de fachada emitiam notas fiscais falsas, o que permitia a revenda dos medicamentos como se fossem legítimos. Hospitais e unidades de saúde estavam entre os compradores, muitas vezes sem conhecimento da origem ilícita.
A investigação identificou a participação de 13 funcionários de uma empresa farmacêutica. Eles facilitavam o desvio diretamente de dentro da companhia, ao utilizar métodos para ocultar as irregularidades. Todos foram indiciados, junto com os principais articuladores do esquema.
Ao todo, a ação policial cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e cinco prisões preventivas. Além de Goiânia, houve diligências em cidades do Entorno do Distrito Federal, como Valparaíso de Goiás e Novo Gama.
As autoridades alertaram para o perigo do uso desses medicamentos desviados. Sem armazenamento adequado, especialmente refrigeração, muitos produtos perdem a eficácia. O uso nessas condições pode comprometer tratamentos e causar danos graves à saúde.
Foto: PCDF