Ibama desarticula garimpo ilegal de ouro em Goiás e aplica quase R$ 180 mil em multas
Léo Carvalho
Publicado em 20 de abril de 2026 às 09:15 | Atualizado há 2 meses
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou, nos dias 17 e 18 de abril de 2026, uma operação de fiscalização ambiental no município de Goiás, com o objetivo de combater a extração ilegal de ouro na região. A ação ocorreu após denúncia sobre a prática de garimpo irregular na zona rural e contou com o apoio da Agência Nacional de Mineração e da Polícia Federal.
Durante a operação, os agentes flagraram a exploração mineral ilegal nas margens do Rio Vermelho. Com a chegada das equipes, os garimpeiros responsáveis pela atividade criminosa fugiram do local e não foram localizados até o momento.
No entanto, o proprietário da área foi identificado e autuado pelas irregularidades, sendo responsabilizado pela atividade ilegal constatada no terreno.

As equipes identificaram duas áreas com indícios de lavra minerária irregular associada à supressão de vegetação nativa. Diante das irregularidades, o Ibama lavrou cinco autos de infração contra o proprietário do imóvel, que somam R$ 179.720,00 em multas. Além disso, foi determinado o embargo de 52,072 hectares de áreas degradadas.
As infrações constatadas incluem lavra ilegal, destruição de Área de Preservação Permanente (APP), dano à Reserva Legal e desmatamento fora de áreas protegidas, conforme previsto no Decreto nº 6.514/2008.
Durante a ação, também foram apreendidos equipamentos utilizados no garimpo clandestino, entre eles duas retroescavadeiras, três motores estacionários com bombas d’água e um caminhão. Como não havia condições de remoção imediata, os motores foram destruídos no local para impedir a continuidade da atividade ilegal.

O responsável pela área deverá responder nas esferas administrativa, civil e criminal, sendo obrigado a reparar integralmente os danos ambientais causados. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal darão continuidade às investigações para identificar e responsabilizar todos os envolvidos.
Paralelamente, o Ibama instaurará um procedimento específico para avaliar os impactos da poluição decorrente da atividade ilegal, com apoio de pesquisadores do Projeto Araguaia Vivo, Programa de Pesquisa em Biodiversidade Araguaia e CHIDRA. Novas autuações poderão ser aplicadas à medida que os danos forem dimensionados, com multas que podem chegar a R$ 50 milhões, dependendo da gravidade das infrações.

De acordo com o coordenador da operação, Werikson, a fiscalização ambiental tem sido contínua e estratégica. “A atuação do Ibama, com apoio das forças policiais e de outras instituições, ocorre de forma permanente no monitoramento de áreas com indícios de mineração e desmatamento ilegais, utilizando imagens de satélite e vistorias em campo para ampliar a efetividade das ações”, afirmou.
O Ibama reforçou que não tolera a exploração ilegal de recursos naturais e que seguirá intensificando as ações de combate a crimes ambientais, com foco na responsabilização dos infratores e na proteção do patrimônio ambiental brasileiro.


