Perícia da PF confirma manuscritos de Tiradentes em obra histórica
Léo Carvalho
Publicado em 21 de abril de 2026 às 14:23 | Atualizado há 2 meses
Livro do século XVIII com anotações atribuídas a Tiradentes teve autoria confirmada por perícia da Polícia Federal | Foto: Reprodução
Um dos documentos mais simbólicos da história colonial brasileira ganhou novo peso histórico após perícia da Polícia Federal (PF) atestar que anotações presentes em um livro do século XVIII foram escritas por Tiradentes.
Conhecida como “Livro de Tiradentes”, a obra — intitulada originalmente Recueil des Loix Constitutifes des États-Unis — reúne textos constitucionais das antigas colônias inglesas na América do Norte e circulava de forma clandestina no Brasil Colônia. O conteúdo defendia ideias como república, liberdade política e constituição escrita, princípios que influenciaram diretamente os inconfidentes.
O exemplar permaneceu por mais de um século na Biblioteca Pública de Santa Catarina, onde chegou em 1860, e foi transferido para Minas Gerais na década de 1980 após solicitação do então governador Tancredo Neves ao governador catarinense da época.
A relevância do documento foi ampliada após análise conduzida pelo Instituto Nacional de Criminalística. O laudo técnico, assinado por peritos da PF, concluiu de forma definitiva que as anotações manuscritas presentes no livro são de autoria de Tiradentes.

O exame utilizou técnicas modernas de grafoscopia e comparações detalhadas com registros históricos, permitindo identificar padrões compatíveis com a escrita do líder da Inconfidência.
Além da confirmação da autoria, o documento traz indícios importantes sobre o perfil intelectual de Tiradentes. As anotações, feitas em uma obra em língua francesa, sugerem que o alferes dominava o idioma e tinha acesso direto a ideias iluministas — algo incomum no contexto colonial brasileiro do século XVIII.
Outro elemento histórico relevante é a origem do livro: segundo registros, o exemplar foi retirado do processo judicial que levou à condenação de Tiradentes, sendo encontrado “dentro de um saco verde”, junto a documentos da devassa da Inconfidência Mineira.
A circulação da obra entre os inconfidentes reforça o papel de textos estrangeiros na formação do pensamento político do grupo, especialmente após a independência dos Estados Unidos em 1776, que serviu de referência para movimentos republicanos na América.
Com a validação pericial, autoridades e historiadores defendem que o documento passe a ocupar posição central na memória nacional, especialmente nas celebrações de 21 de abril, data que marca a execução de Tiradentes e sua consolidação como símbolo da luta por liberdade no Brasil.