Jornal Estadão recebeu R$ 1,12 milhão do Banco Master em contratos entre 2021 e 2025
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 23 de abril de 2026 às 15:57 | Atualizado há 2 meses
Estadão afirma que valores são brutos, antes de comissões, e não incluem eventos patrocinados pelo banco | Foto: Reprodução/Google
O jornal Estadão recebeu R$ 1,12 milhão do Banco Master entre 2021 e 2025 por serviços de publicidade institucional. A informação foi revelada pelo Metrópoles e confirmada pelo próprio veículo.
Segundo o jornal, os valores foram negociados para campanhas de captação de clientes e abertura de contas, além de incluir o patrocínio da cobertura do GP Brasil de Fórmula 1, compra de mídia digital e publicação de informe publicitário. O Estadão afirmou que os montantes são brutos, antes da comissão de agência, e não incluem outras ações, como eventos patrocinados pelo banco.
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Contratos, valores e investigação
Os contratos firmados ao longo do período envolvem diferentes frentes de investimento. Entre elas, estão R$ 200 mil destinados à campanha institucional, R$ 25.894 para ações de abertura de contas, R$ 302.074 pelo patrocínio da cobertura do GP Brasil de Fórmula 1, R$ 312.032 em mídia digital e R$ 280 mil em informe publicitário.
O banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, foi preso pela primeira vez em 2025, acusado de fraudar o sistema financeiro. Desde janeiro, ele está em regime fechado e também responde por suspeitas de ameaçar testemunhas e críticos, enquanto tenta negociar um acordo de delação premiada.
Relação financeira e influência
A relação entre o Estadão e o grupo ligado a Vorcaro vai além da publicidade. O jornal contratou uma gestora associada a Maurício Quadrado, sócio do banqueiro, para estruturar uma operação financeira voltada a evitar a insolvência do veículo.
A iniciativa resultou em aportes de grandes instituições, como Itaú, Santander e Bradesco, que somaram R$ 45 milhões. Outras empresas também participaram, com investimentos adicionais que chegam a R$ 142,5 milhões a partir de 2024.
Mais do que um empréstimo, o acordo garantiu aos investidores três das seis cadeiras no conselho de administração do jornal, além de poder de veto em decisões estratégicas. Como o Estadão não possui conselho editorial, as decisões, inclusive sobre o conteúdo publicado, ficam sob responsabilidade desse colegiado.
Entre os representantes dos investidores está Marco Bologna, sócio e CEO da Galápagos, que aportou R$ 7,5 milhões no veículo. Também integram o grupo Marcelo Pereira Malta de Araújo e Tito Enrique da Silva Neto.
Pelo lado do jornal, fazem parte do conselho Francisco de Mesquita Neto, Roberto Crissiuma Mesquita e Manoel Lemos.