Preço de mercado de Neymar cai para 10 milhões, mas sua marca segue movimentando bilhões
Léo Carvalho
Publicado em 24 de abril de 2026 às 15:34 | Atualizado há 2 meses
Em 2024, Neymar estava entre atletas mais ricos de todos os tempos, segundo site Pórtico | Foto: Reprodução/Instagram
Neymar Jr. vive um dos contrastes mais simbólicos do futebol contemporâneo. No mercado de transferências, o atacante brasileiro está avaliado hoje em cerca de 10 milhões de euros — o mesmo patamar de um jogador promissor da Série B. Em 2019, no auge de sua valorização esportiva, o atleta chegou a ser cotado em 180 milhões de euros.
A queda superior a 90% no valor de mercado, no entanto, não representa perda de relevância. Pelo contrário: o chamado “produto Neymar” segue movimentando cifras bilionárias e reforça um fenômeno raro no esporte mundial — a separação entre desempenho esportivo e valor de marca.

Um dos episódios mais emblemáticos desse contraste foi sua passagem pelo Al Hilal, da Arábia Saudita. O clube investiu mais de 250 milhões de dólares entre salário e transferência, mas teve retorno esportivo limitado: apenas sete partidas e um gol. Ainda assim, o impacto de sua contratação extrapolou o campo e reforçou sua presença global.
De volta ao Santos em 2025, Neymar mostrou que sua capacidade de geração de receita não depende mais exclusivamente da performance esportiva. O chamado “efeito Neymar” impulsionou o clube a liderar o crescimento digital no Brasil, superando inclusive grandes rivais como o Palmeiras.

No ambiente digital, o jogador também consolidou sua autonomia como marca. Seu canal no YouTube ultrapassou 13 milhões de visualizações no primeiro vídeo em tempo recorde, reforçando sua atuação como plataforma de entretenimento independente. Além disso, Neymar ocupa posição de destaque em projetos como a Kings League, onde atua como presidente de equipe, e mantém parcerias internacionais, incluindo a SKIMS, marca de moda nos Estados Unidos.
Nas redes sociais, os números reforçam sua influência: são picos que se aproximam de 300 milhões de visualizações em apenas 15 dias, segundo dados da Claritor. Fora do Brasil, o engajamento de suas publicações tende a superar o registrado no mercado doméstico, ampliando sua força global.

Atualmente, Neymar possui o maior portfólio comercial do futebol brasileiro, com cerca de 20 contratos de patrocínio ativos. O principal deles é com a Puma, em um acordo estimado em 26 milhões de euros anuais. Somente com publicidade, o atleta fatura mais de 30 milhões de dólares por ano, independentemente de convocação ou desempenho esportivo.
Esse cenário levanta uma questão central no esporte moderno: até que ponto o valor de um atleta deve ser medido apenas pelo desempenho dentro de campo? Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, o debate também alcança a comissão técnica da seleção brasileira, hoje sob comando de Carlo Ancelotti, que precisa equilibrar critérios técnicos e impacto de mercado.
O caso Neymar expõe uma transformação estrutural no futebol: a consolidação de atletas como ativos midiáticos globais, capazes de manter alto valor comercial mesmo em fases de baixa esportiva. Hoje, o atacante representa um modelo em que a marca pessoal se torna tão relevante quanto o jogo jogado. (Com informações de Isabella Pascucci/InfoMoney)